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A Colheita

Augusto Blanca

La Cosecha

Mi hijo ya no quiere ser piloto,
se lanza a las estrellas diferente,
sin miedo, sin avión, sin escafandra:
mi hijo ya no tiene trece años.

Mi hijo ha decidido otra manera
más cierta, tal vez descabellada,
de abrirse por sí solo su camino,
y sale reafirmar la primavera.

Mi duende soñador ahora es mi amigo,
mi rienda, mi confianza, mi acertijo,
mi espejo justiciero, mi arquero, mi sonido,
mi verdad, mi entrañable compañero.

Mi arroyo pequeñito ahora es un río,
un caudaloso asombro ante el recodo.
Se enfrenta a un huracán y asume el riesgo;
mi hijo no le teme a las batallas.

Mi hijo se me ha ido de las manos,
se crece, se hace dueño de su empeño.
Mi surco hoy me brinda la cosecha;
mi puñado de semillas ha triunfado.

Mi hijo ya no tiene trece años.
Mi hijo ya no quiere ser piloto.
Mi hijo se me ha ido de las manos,
y este doce de octubre sí lo extraño.

A Colheita

Meu filho já não quer ser piloto,
se lança às estrelas de um jeito diferente,
sin medo, sem avião, sem escafandra:
meu filho já não tem treze anos.

Meu filho decidiu um outro caminho
mais certo, talvez meio maluco,
de abrir seu próprio caminho sozinho,
e sai pra reafirmar a primavera.

Meu duende sonhador agora é meu amigo,
minha rédea, minha confiança, meu enigma,
meu espelho justiciero, meu arqueiro, meu som,
minha verdade, meu companheiro querido.

Meu riachinho agora é um rio,
um caudaloso espanto na curva.
Enfrenta um furacão e assume o risco;
meu filho não tem medo das batalhas.

Meu filho se foi das minhas mãos,
se cresce, se torna dono do seu esforço.
Meu sulco hoje me traz a colheita;
minha punhadinho de sementes triunfou.

Meu filho já não tem treze anos.
Meu filho já não quer ser piloto.
Meu filho se foi das minhas mãos,
e neste doze de outubro eu sinto falta dele.

Composição: