Que a escuridão que me envolveu
Não seja lembrada como prisão
Mas como ventre que me acolheu
Antes de eu renascer em mim então
E as garras que um dia me feriram
Sejam mãos a me moldar
Pois foi na dor que me despiram
Pra eu enfim me encontrar
Eu me entrego ao silêncio da noite
Onde tudo se desfaz
E eu deixo ir, o que não vibra em mim
Corto com amor, o que chegou ao fim
E no vazio eu posso ouvir
A voz que sempre esteve aqui
Sem precisar provar quem sou
Sem precisar que alguém me veja
Minha luz não se apagou
Mesmo quando o mundo nega
No silêncio eu perdi o que me corroía
E encontrei o que sustenta o meu ser
Agradeço tudo que um dia partia
Pois abriu espaço pra eu florescer
Não preciso mais da aprovação
Nem do olhar que tenta me medir
Meu brilho nasce do chão
Que eu aprendi a construir
Que eu aprenda a amar o deserto
Onde nada tenta me distrair
Pois é no vazio mais aberto
Que algo em mim começa a surgir
Não nas palavras
Mas no espaço entre elas
E a estrela que agora acende em mim
Não é promessa de um depois
É presença viva do que há aqui
É o agora que sempre foi
Eu sou caminho, sou travessia
Sou o fim e o começar
Sou a luz que nas ruínas
Aprendeu a se acender e não apagar
Eu sou
Eu sou
Na escuridão
Eu renasci