Tem muita gente que fala
Palavras que não dizem nada
Retórica barata, enlatada
Envolvida numa foto bem bonita
Pra tentar te convencer
Parece até piada
Mas não tem nenhuma graça
Nunca vi maior mentira
Do que aquela que tentaram te vender
De que pra vencer na vida
Só basta querer
É uma equação
Sem resolução
Se a soma é pra poucos
A conclusão é sempre desigual
Eu odeio o jogo
Não o jogador
Mas não fica do meu lado
Defendendo o carrasco
Que conserva dor
Discurso nojento
De segregação
Até mesmo Jesus
Vocês pintaram de branco
Por não admitir
Alguém de outra etnia
Como sua salvação
Sinto a revolta
A me consumir, consumir
Resisto à indiferença
Que se tornou banal
Estamos presos em um labirinto
Feito de espinhos
Numa rotina que nos faz sangrar
Pra esse jogo sujo continuar
Olhe pra uma criança
Faminta e descalça
E diga pra ela
Como é muito fácil
Qualquer pessoa
Se tornar milionária
Arma carregada
De falsa moralidade
Se dizem a favor da vida
Mas as minorias
Vocês querem que acabem
Sinto a revolta
A me consumir, consumir
Resisto à indiferença
Que se tornou banal
Estamos presos em um labirinto
Feito de espinhos
Numa rotina que nos faz sangrar
Pra esse jogo sujo continuar
Até quando nós vamos sangrar?
A consciência é o que nos faz
Não conseguir ficar em paz
Sabendo que
Sobreviver não é viver
No sub-mundo, desumano
Fadado a sofrer
A consciência é a chave
Que abre as portas dessa grade
E faz entender
Que o mundo deveria
Pertencer a todos
E não a menos da metade
Sinto a revolta
A me consumir, consumir
Resisto à indiferença
Que se tornou banal
Presos em um labirinto
Feito de espinhos
Até quando vamos sangrar?