O inferno está vazio, todos os demônios estão aqui
Nadiia, minha pequena esperança
Sob o céu de chumbo e concreto, o Sol esqueceu de nascer
Uma boneca de pano no gelo, sem ninguém pra colher
Pai nosso que estais no buhn-ker, santificado seja o medo
O destino foi forjado a ferro, e quebrado cedo demais
A inocência é uma língua morta, ninguém mais fala
A arte sangra para salvar o amor
O sangue escreve o que a diplomacia apaga
A última prece, é o pino de uma granada
Minha pequena nadiia
A esperança é um corpo frio estendido na neve
Minha pequena nadiia
Onde o silêncio de Deus é o peso que ninguém deve
No tabuleiro dos monstros, quem te esqueceu?
Onde termina o governo e começa o que morreu?
No tabuleiro do poder, vidas viram peões
Carne servida em banquetes de ouro e cinza
O lucro é o novo Messias, a guerra é a sua missa
Vocês brindam com o vinho extraído da nossa dor
Enquanto o mundo assiste em HD, sem nenhum pudor
Sentados em tronos de mármore e sangue
O grito dela não alcança o seu gabinete
O abandono é divino, o inferno é o lembrete
Não há glória, não há pátria, só há o vazio
Minha pequena nadiia
A esperança é um corpo frio estendido na neve
Minha pequena nadiia
Onde o silêncio de Deus é o peso que mais fere
Entre o asfalto e a pólvora, o teu riso morreu
A humanidade, fomos nós que matamos, não foi Deus
Enquanto o polegar desliza
No vidro gélido daindiferença
O algoritmo tritura o luto
Em silêncio absoluto
A retina é um cemitério de luz azul
Onde o flagelo humano é só ruído estético
Sacerdotes do silício
Ungindo ídolos de pixels e fumaça
Vós que trocam o sangue pelo entretenimento
O sistema não quer sua fúria
Ele quer sua distração
Nadiia