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Café com minhas Vozes

Bernardo Sena

Eu gostei dessas perguntas que vieram me visitar
Não é pra ignorar, nem pra só obedecer e calar
É sentar com essas vozes que insistem em falar
Em vez de expulsar, eu resolvi escutar

Elas não são inimigas, querendo me derrubar
São ecos antigos, que tentam me salvar do mar
Aprenderam lá atrás, com medo de afundar
Ser firme é perigoso, alguém pode se afastar

Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar
Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar

Disseram que, disseram que
Dizer não!
É convite pra perder
Que limite é rejeição, que vão me esquecer
Que se eu não agradar, não vão me escolher
E que amor é frágil, fácil de romper
Mas se eu ignoro, elas voltam a gritar
Se eu cedo e obedeço, começo a me abandonar
Então puxo a cadeira, deixo o café esfriar
E digo: Podem falar, eu tô pronto pra escutar
Podem falar Eu tô pronto

Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar
Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar

Eu fui mesmo grosseiro, ou só fui claro?
Feri de verdade, ou apenas fui raro?
Faltou respeito, ou tracei meu amparo?
É fato real, ou medo do passado?

Inteiro Inteiro
Quando o silêncio resolve se instalar
Eu não corro mais pra me justificar
Respiro fundo e escolho afirmar
Hoje eu sei: Se alguém for
Inteiro vou continuar
Eu sei: Se alguém for
Inteiro vou continuar

Obrigado, medo antigo, por querer me guardar
Mas agora eu cresci, posso me sustentar
Se alguém não ficar, eu não vou me quebrar
Nem preciso me moldar, pra alguém me validar

Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar
Não é ignorar
Não é se dobrar
É conversar
E ainda assim, me preservar
Eu aprendi a liderar

Composição: Bernardo Nobre Soares de Sena