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Mama Lá

Bernardo Sena

Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar
Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar

Olha! Tinha uma placa no meu peito
Pesada de culpa, de um amor imperfeito
Eu tirei, devolvi pra quem não sou
E no lugar escrevi: Direito de precisar, sou eu que dou

Zoê, minha ama-de-leite, onde você estiver
Te reconheço, digo: O que recebi foi amor e foi viver
Seu peito não era sobra, foi partilha, foi sustento
Obrigado, eternizo em mim esse alimento

Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar
Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar

Guardo a semente, posso deixar lá ir
E digo: Vai e volta, o bom pode vir
Eu também volto pra mim, no meu lugar
Nada me falta, aprendi a esperar

Escuta, criança: O leite não foi roubado!
Foi partilhado, fomos dignos, foi sagrado
Se algo for embora, eu não fico vazio
Eu fico comigo, contigo, num colo macio

Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar
Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar

Quando o medo de perder vier, eu sei
É meu corpo lembrando a retirada outra vez
Enterro meus pés, digo: Agora eu escolho
Eu tenho recursos, eu tenho o colo, eu me acolho!

Nos meus braços não existe rejeição
Nem abandono, nem violência, só coração
Dois peitos jorram leite sem cessar
Abundância infinita, pra sempre alimentar

Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar
Mamamalá lá
Mamamalá
Mamamalá lá, filhinho já pode se acalmar

Composição: Bernardo Nobre Soares de Sena