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Na Estrada do Eu

Bernardo Sena

Na avenida dos rótulos, querem me ver vilão
Sem pudor, manipulador, sem coração
Mas eu conheço meu valor, comigo tá tudo bem
Sem mágoa, sigo em frente, não ultrapasse meu além

Na via do culpado responsável
Eu sigo firme na contramão
Não mostro documentos, nem justificativa
Minha verdade não cabe em explicação

Dirijo nas estradas do meu ser
Cada via um papel pra escolher
Se a rua é da validação externa, tá interditada
Eu sigo ouvindo meu som, com a alma aliviada

Na rua do desconforto que não é minha, eu passo reto
Não paro, não compro papel de vítima, sigo quieto
A reação do outro não é minha direção
Eu só respondo por clareza e respeito em ação

Posso pedir, podem negar
Um não não vai meu caráter manchar
Eu não sou a reação que esperam de mim
Minha essência é raiz, não tem fim

Dirijo nas estradas do meu ser
Cada via um papel pra escolher
Se a rua é da validação externa tá interditada
Eu sigo ouvindo meu som, com a alma aliviada

Placa de casa não define morador
Crachar não resume, quem eu sou
No oculto eu brilho, eu me encontro
Autêntico em qualquer ponto

Dirijo nas estradas do meu ser
Cada via um papel pra escolher
Eu pauso, respiro, não corro demais
Na estrada da vida, me encontro em paz

(A via da autenticidade não tem idade)
(É nela que eu sigo, sem precisar provar nada)

Composição: Bernardo Nobre Soares de Sena