Lá em casa, o palco era cruel
Meu irmão de anjo e eu de papel
Mexia com ele, fazia um drama
E ganhava um toque que valia uma cama
Mas não sou eu esse menino mal
Só era um roteiro emocional
Fingindo ser o que esperavam ver
Só queria um sinal pra sobreviver
Não era maldade, era só carência
Um pedido de afeto com aparência
Eu vesti o papel, mas não sou eu
Só queria um pai que dissesse: Você é meu
Não sou eu, o vilão da novela
Era um menino perdido na cela
Hoje eu me vejo fora do script
Sou autor da minha própria psique!
Não sou eu, o vilão da novela
Era um menino perdido na cela
Hoje eu me vejo fora do script
Sou autor da minha própria psique
Minha mãe dizia: Se comporte, menino
Mas escrevia meu erro no destino
Eu errava no palco que ela armava
E ela usava a culpa que me travava
Mas não sou eu o errado de nascença
Fui sabotado na minha inocência
Meu irmão chorava, eu levava sermão
E ganhava um carinho camuflado em tensão
Se o toque vinha junto com a dor
Eu aprendi a chamar isso de amor
Mas agora eu vejo, entendo, percebo
Isso não sou eu, isso era o medo
Não sou eu, o vilão da novela
Era um menino perdido na cela
Hoje eu me vejo fora do script
Sou autor da minha própria psique!
Não sou eu, o vilão da novela
Era um menino perdido na cela
Hoje eu me vejo fora do script
Sou autor da minha própria psique
Não sou o rebelde que desenharam!
Nem o culpado que eles narraram
Sou o que sobrou depois do incêndio
E ainda assim, sou inteiro, sou remendo!
Se alguém quiser meu rótulo antigo
Pode guardar como souvenir do perigo
Hoje eu sou paz, semente e razão
Não sou mais refém da aprovação!
Não sou eu, o vilão da novela
Nem o culpado que a infância revela
Eu sou afeto, riso e reinvenção
E agora danço fora da prisão!
Não sou eu, o vilão da novela
Nem o culpado que a infância revela
Eu sou afeto, riso e reinvenção
E agora danço fora da prisão!