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O Porteiro

Bernardo Sena

O porteiro da porta abriu
Deixou o medo entrar, eu vi
O coração fez tum, tum, tum
E o corpo quis fugir de mim

(Eu! Eu! Eu!) sei, pequeno guardião
O corpo só quer se proteger
Mas agora, vem! Vem! Vem! Respira junto
Não há perigo, pode ser

Ah, tudo que eu foco, cresce! (Cresce! Cresce!)
Ah, meu olhar floresce! (Floresce! Floresce!)

Olha! Olha! Olha! Lá, o homem passou
(Pisou! Pisou! Pisou!) nas folhas do meu chão
Meu peito grita! Grita! Grita! (Invasão!)
E a mente toca! Toca! Toca! O tamborão

Eu vi! Vi! Vi! Meu amor, eu senti também
Mas vem! Vem! Vem! Comigo, é diferente agora
Não é o quintal, é o coração
Que a gente cerca com calma e aurora

Iper! Iper! Iper! Hipervigilância!
Não! Não! Não! É só lembrança!
Ah, respira! Respira! Respirar!
O corpo só quer segurança

Mas o olhar dele! Dele! Dele! Me feriu
Eu me escondi, fiquei tão! Tão! Tão! Só

Agora eu olho por você
Com ternura, sem dar nó

Vem ver! Vem ver! Vem ver! O foco virou flor
O medo se abriu, virou cor cor cor cor!
Vem ver! Vem ver! Vem ver! O corpo aprendeu
A língua bonita do amor! (Amor! Amor!)

Meu foco cria o que, o cérebro abraça
Meu foco cria o que o amor enlaça
Tudo que cresce é o que eu alimento
E o que eu alimento agora é! (É! É!) alento

Então posso! Posso! Brincar, posso! Posso! Sentir
Sem medo de alguém invadir?

Sim! Sim! Sim! Meu pequeno, o portão é teu
E quem vigia agora! Agora! Agora! Sou eu

Ah, o porteiro sorri
Ah, o perigo dormiu
Ah, a criança bebe da fonte
Ah, o adulto virou abrigo gentil

Composição: Bernardo Nobre Soares de Sena