395px

Minhas Palavras

Samuele Bersani

Le Mie Parole

Le mie parole sono sassi
precisi aguzzi pronti da scagliare
su facce vulnerabili e indifese
sono nuvole sospese
gonfie di sottointesi
che accendono negli occhi infinite attese
sono gocce preziose indimenticate
Sono lampi dentro a un pozzo, cupo e abbandonato
un viso sordo e muto che l'amore ha illuminato
sono foglie cadute
promesse dovute
che il tempo ti perdoni per averle pronunciate
sono note stonate
sul foglio capitate per sbaglio
tracciate e poi dimenticate
le parole che ho detto, oppure ho creduto di dire
lo ammetto
strette tra i denti
passate, ricorrenti
inaspettate, sentite o sognate
Le mie parole son capriole
palle di neve al sole
razzi incandescenti prima di scoppiare
sono giocattoli e zanzare, sabbia da ammucchiare
piccoli divieti a cui disobbedire
sono andate a dormire sorprese da un dolore profondo
che non mi riesce di spiegare
fanno come gli pare
si perdono al buio per poi ritornare
Sono notti interminate, scoppi di risate
facce sopraesposte per il troppo sole
sono questo le parole
dolci o rancorose
piene di rispetto oppure indecorose
Sono mio padre e mia madre
un bacio a testa prima del sonno
un altro prima di partire
le parole che ho detto e chissà quante ancora devono venire
strette tra i denti
risparmiano i presenti
immaginate, sentite o sognate
spade, fendenti
al buio sospirate, perdonate
da un palmo soffiate

Minhas Palavras

Minhas palavras são pedras
precisas, afiadas, prontas pra atirar
em rostos vulneráveis e indefesos
são nuvens suspensas
gordas de subentendidos
que acendem nos olhos infinitas esperas
são gotas preciosas, inesquecíveis
são relâmpagos dentro de um poço, escuro e abandonado
um rosto surdo e mudo que o amor iluminou
são folhas caídas
promessas devidas
que o tempo te perdoe por tê-las pronunciado
são notas desafinadas
no papel que caíram por engano
traçadas e depois esquecidas
as palavras que eu disse, ou que pensei ter dito
eu admito
apertadas entre os dentes
passadas, recorrentes
inesperadas, sentidas ou sonhadas
Minhas palavras são cambalhotas
bolas de neve ao sol
foguetes incandescentes antes de estourar
são brinquedos e mosquitos, areia pra amontoar
pequenos interditos a que desobedecer
foram dormir, surpreendidas por uma dor profunda
que não consigo explicar
fazem como querem
se perdem no escuro pra depois voltar
São noites intermináveis, explosões de risadas
rostos expostos demais pelo sol
são isso as palavras
doce ou amargas
cheias de respeito ou então indecorosas
São meu pai e minha mãe
um beijo em cada cabeça antes do sono
outro antes de partir
as palavras que eu disse e quem sabe quantas ainda vão vir
apertadas entre os dentes
poupam os presentes
imaginadas, sentidas ou sonhadas
espadas, golpes
no escuro suspiradas, perdoadas
do palmo sopradas