28 de Maio de 2021, às 12:00
As músicas de Benito di Paula mostram por que ele foi um dos maiores nomes do samba brasileiro e um artista que entrou para a memória afetiva de várias gerações.
Cantor, compositor e pianista, Benito faleceu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, em São Paulo, e deixou um repertório que segue vivo nas rádios, nas rodas de samba e na lembrança do público.
Para homenagear o artista, separamos as 12 melhores músicas de Benito di Paula para você relembrar e compartilhar com quem também cresceu cantando seus sucessos!
As melhores músicas de Benito di Paula reúnem sambas românticos que marcaram os anos 1970 e 1980, como Retalhos de Cetim, Charlie Brown, Mulher Brasileira e Do Jeito Que a Vida Quer.
Com um jeito único de fazer samba, que levou o piano para o gênero, Benito transformou histórias do dia a dia e declarações de amor em canções que seguem vivas na memória do público. Relembre, a seguir, 12 sucessos que ajudam a contar a história do artista.
Retalhos de Cetim é o maior sucesso de Benito di Paula e a música que o projetou para o Brasil. Faz parte do álbum Um Novo Samba e foi a segunda música mais tocada nas rádios brasileiras em 1973.
A letra conta a história de um sambista que ensaiou o ano inteiro e gastou tudo na fantasia, mas chorou na avenida porque a mulher amada, que havia prometido desfilar para ele, não apareceu.
Benito contou que se inspirou no Orfeu do Carnaval, o sambista simples e comum. A canção ganhou gravações de Paul Mauriat e Alcione e, mais tarde, de Juçara Marçal, no songbook Benito 80.
Ah! Como Eu Amei é um dos grandes sucessos românticos de Benito di Paula, lançado no início dos anos 1980, com versos poéticos e um samba calminho.
O amor que eu tenho guardado no peito
Me faz ser alegre, sofrido e carente
Ah, como eu amei
A música não é de autoria dele: foi composta pelos irmãos de Benito, Jota Vellozo e Ney Vellozo. Por isso, é a única faixa do songbook Benito 80 que não leva a assinatura do artista.
Do Jeito Que a Vida Quer é um dos sucessos mais importantes da carreira de Benito di Paula e continua embalando rodas de samba raiz.
Ninguém sabe a mágoa que trago no peito
Quem me vê sorrir desse jeito
Nem sequer sabe a minha solidão
É que meu samba me ajuda na vida
Minha dor vai passando, esquecida
Vou vivendo essa vida do jeito que ela me levar
A música ganhou versões do grupo Revelação e de Mariana Aydar. Em 2025, ela também aparece no enredo da Águia de Ouro, que homenageou Benito no Carnaval de São Paulo juntando os títulos de Retalhos de Cetim e Do Jeito Que a Vida Quer.
Charlie Brown nasceu de uma curiosidade. Quando morava em uma pensão em Santos, Benito via os moradores lendo as tirinhas do personagem criado por Charles M. Schulz e pediu que traduzissem as histórias. Encantado, decidiu escrever uma canção convidando Charlie Brown a conhecer o Brasil.
Na letra, o personagem passeia por lugares e personalidades da nossa cultura, como Vinicius de Moraes, Jorge Ben Jor, Luiz Gonzaga e o Flamengo. Lançada em outubro de 1974, a música foi uma das mais tocadas nas rádios em 1975 e fez sucesso também na Europa, com versões em vários idiomas.
Amigo do Sol, Amigo da Lua está no álbum Que Brote Enfim o Rouxinol Que Existe Em Mim, de 1984. A música mostra o universo infantil e a criança que existe dentro de cada um.
Estrela que brilha em meu peito e me leva pro céu
Em cantos, cantigas, canções de ninar
Me deixa no galho, no galho da Lua
No charme do Sol, pra me despertar
A canção ganhou ainda mais alcance ao entrar na trilha sonora da novela A Gata Comeu, de 1985.
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Mulher Brasileira é mais um samba envolvente e especial de Benito di Paula, que exalta as mulheres do país. A música fez sucesso nas rádios em 1975.
Norte a sul do meu Brasil
Caminha sambando quem não viu
Mulher de verdade, sim, senhor
Mulher brasileira é feita de amor
A canção entrou para o álbum Brasil Som 75, disco lançado naquele ano a partir do programa da TV Tupi comandado por Benito.
Além de Tudo é uma linda declaração de amor, lançada em 1974 e presente no disco Gravado Ao Vivo. Mais tarde, ganhou nova versão de Zeca Baleiro no songbook Benito 80.
Longe do tom romântico, Benito fala de liberdade, simbolizada pela borboleta, e da importância da natureza em Proteção Às Borboletas.
Eu sou como a borboleta
Tudo o que eu penso é liberdade
Não quero ser maltratado
Nem exportado desse meu chão
A canção faz parte do disco lançado pelo cantor em 1977, que também trouxe o sucesso De Tombar Caminhão. Teresa Cristina a regravou no songbook Benito 80.
Benito soube como poucos traduzir o amor em samba, e Vai Ficar Na Saudade é a prova disso.
Agora eu entrego
Os meus pontos
E vou dizer porque
Você é mulher e é bonita
Eu não posso esquecer
Você vai ficar na saudade
Sucesso de 1976, foi a 25ª música mais tocada nas rádios naquele ano e segue entre os sambas românticos mais lembrados do artista.
Beleza Que É Você Mulher foi sucesso nas rádios na década de 1970. Em 2009, Benito lançou um DVD ao vivo gravado no Vivo Rio, com seus grandes sucessos, e a música contou com interpretação de seu filho, Rodrigo Vellozo.
Sanfona Branca é a homenagem que Benito di Paula fez a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Aquela sanfona branca
Aquele chapéu de couro
É quem meu povo proclama
Luiz Gonzaga é de ouro
Os dois se conheceram em uma caravana de artistas organizada por Silvio Santos. Segundo Benito, ele estava escondido no banheiro por vergonha, e Gonzaga foi ensaiar no mesmo lugar. Dali, surgiu uma grande amizade.
Se Não For Amor abre o álbum Um Novo Samba e foi um dos sucessos de Benito em 1974. Composta por ele, a música fala sobre as ilusões do amor e sugere que, às vezes, é melhor permanecer no sonho e na imaginação para não sofrer.
Nascido Uday Vellozo em 28 de novembro de 1941, na cidade fluminense de Nova Friburgo, Benito di Paula construiu uma trajetória marcante, com mais de 50 milhões de discos vendidos mundialmente e sucessos que marcaram a década de 1970.
Com uma formação lapidada na noite e nas boates, ele desenvolveu a própria identidade sonora ao unir o samba tradicional às melodias românticas tocadas ao piano, estilo que o consagrou como o precursor e principal expoente do samba-joia.
Além do talento como compositor e instrumentista, Benito destacou-se por um visual inconfundível, com trajes extravagantes, cabelos longos e bigode, tornando-se uma figura carismática e inesquecível da cultura brasileira.
Para além do sucesso comercial, sua sonoridade influenciou gerações de artistas e antecipou tendências do samba. Sua obra foi celebrada com releituras e homenagens ao longo das décadas, incluindo um desfile especial no Carnaval de São Paulo em sua homenagem.
Benito faleceu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, na cidade de São Paulo, em decorrência de complicações de um câncer de próstata contra o qual lutava há cerca de um ano. Seu legado permanece vivo como o de um gênio que revolucionou a música popular brasileira.
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