Stances à un cambrioleur
Prince des monte-en-l'air et de la cambriole
Toi qui eus le bon goût de choisir ma maison
Cependant que je colportais mes gaudrioles
En ton honneur j'ai composé cette chanson
Sache que j'apprécie à sa valeur le geste
Qui te fit bien fermer la porte en repartant
De peur que des rôdeurs n'emportassent le reste
Des voleurs comme il faut c'est rare de ce temps
Tu ne m'as dérobé que le stricte nécessaire
Délaissant dédaigneux l'exécrable portrait
Que l'on m'avait offert à mon anniversaire
Quel bon critique d'art mon salaud tu ferais
Autre signe indiquant toute absence de tare
Respectueux du brave travailleur tu n'as
Pas cru décent de me priver de ma guitare
Solidarité sainte de l'artisanat
Pour toutes ces raisons vois-tu, je te pardonne
Sans arrière-pensée après mûr examen
Ce que tu m'as volé, mon vieux, je te le donne
Ça pouvait pas tomber en de meilleures mains
D'ailleurs moi qui te parle, avec mes chansonnettes
Si je n'avais pas dû rencontrer le succès
J'aurais tout comme toi, pu virer malhonnête
Je serais devenu ton complice, qui sait
En vendant ton butin, prends garde au marchandage
Ne vas pas tout lâcher en solde au receleurs
Tiens leur la dragée haute en évoquant l'adage
Qui dit que ces gens-là sont pis que les voleurs
Fort de ce que je n'ai pas sonné les gendarmes
Ne te crois pas du tout tenu de revenir
Ta moindre récidive abolirait le charme
Laisse-moi je t'en prie, sur un bon souvenir
Monte-en-l'air, mon ami, que mon bien te profite
Que Mercure te préserve de la prison
Et pas trop de remords, d'ailleurs nous sommes quittes
Apres tout ne te dois-je pas une chanson
Post-Scriptum, si le vol est l'art que tu préfères
Ta seule vocation, ton unique talent
Prends donc pignon sur rue, mets-toi dans les affaires
Et tu auras les flics même comme chalands
Postura de um Ladrão
Príncipe dos ladrões e das roubalheiras
Você que teve o bom gosto de escolher minha casa
Enquanto eu vendia minhas bobagens
Em sua honra, compus essa canção
Saiba que aprecio a seu valor o gesto
Que te fez bem fechar a porta ao ir embora
Com medo que os vagabundos levassem o resto
De ladrões como você é raro nos dias de hoje
Você só me roubou o estritamente necessário
Desdenhando o execrável retrato
Que me deram de presente no meu aniversário
Que bom crítico de arte, seu safado, você seria
Outro sinal indicando a ausência de falhas
Respeitoso do bravo trabalhador, você não
Achou decente me privar da minha guitarra
Solidariedade sagrada do artesanato
Por todas essas razões, veja, eu te perdôo
Sem segundas intenções, após reflexão
O que você me roubou, meu velho, eu te dou
Não poderia cair em melhores mãos
Aliás, eu que te falo, com minhas canções
Se eu não tivesse encontrado o sucesso
Eu também, como você, poderia ter virado desonesto
Eu teria me tornado seu cúmplice, quem sabe
Ao vender seu saque, cuidado com a negociação
Não vá soltar tudo em promoção para os receptadores
Mantenha a postura alta ao evocar o ditado
Que diz que essas pessoas são piores que os ladrões
Forte do que não chamei os policiais
Não se sinta obrigado a voltar
Sua menor reincidência acabaria com o encanto
Deixe-me, por favor, com uma boa lembrança
Ladrão, meu amigo, que meu bem te aproveite
Que Mercúrio te proteja da prisão
E não tenha muitos remorsos, aliás, estamos quites
Afinal, não te devo uma canção?
P.S.: se roubar é a arte que você prefere
Sua única vocação, seu único talento
Então abra uma loja, entre nos negócios
E você terá os policiais como clientes.