Exibições da letra 6

Cativeiro de Sol e Chibata

Brenda Brezze

Letra

    Menina de olho aceso, senta aqui no meu terreiro
    Que eu te conto as cicatrizes que o tempo fez de travesseiro
    Nasci no colo da noite, sem direito a alvorecer
    Meu nome era silêncio, meu destino, obedecer

    Pisei no chão da senzala, feito quem pisa no céu
    Com a alma presa em corrente, e o corpo coberto de fel
    Mas tinha canto na mata, e tambor no coração
    Tinha reza na soleira, e o sonho na contramão

    Não havia escola, não, mas a dor me ensinou
    Cada marca no lombo é palavra que ficou
    Menina, ouve meu canto, leva no teu caminhar
    A história que o chicote quis calar

    Vi mãe parir no terreiro, com lágrima no olhar
    E vi filho ser vendido, sem nem poder se abraçar
    Mas também vi quilombo erguido, com coragem no pé
    E vi homem de cabeça erguida, dizendo “eu sou fé”

    Não havia escola, não, mas a dor me ensinou
    Cada marca no lombo é palavra que ficou
    Menina, ouve meu canto, leva no teu caminhar
    A história que o chicote quis calar


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