Krtek
V zemi se narodil krtek.
Tam svoje mleko sal,
do pusy vlezla mu hlina
a on ji vykuckal,
je, chtel se na ni podivat,
ale byla tam tma.
"Ty nikdy nebudes videt,"
rekla mu maminka.
Zamestnavam pana
se zlutym sakem,
do prace mi nosi
fajfku s tabakem.
S tabakem, co voni,
presne nevim cim.
V dusi se mi honi
jeho saka stin.
Pan se zlutym sakem
mi sirku rozhori,
zapalim si fajfku
a plynne hovorim.
Hovorim a kourim,
bajky vypravim.
A v tom koure dymu
nahle uvidim:
UFO, sifon,
Milan, silon.
To pekne zapada:
kytka, lopata.
Lopata do zeme jede,
otvira se skvirka,
vidime normalni nebe.
Vsichni, az na krtka.
FAJRONT.
O Toupeira
Nasceu na terra um toupeira.
Lá ele mamava,
mas a terra entrou na boca
e ele a cuspiu,
queria olhar pra ela,
mas estava escuro.
"Você nunca vai ver,"
disse sua mamãe.
Eu emprego um cara
com um paletó amarelo,
que me traz pro trabalho
um cachimbo com tabaco.
Com tabaco que cheira,
não sei bem de quê.
Na minha alma ronda
sua sombra de paletó.
O cara do paletó amarelo
acende o fósforo pra mim,
eu acendo meu cachimbo
e falo tranquilamente.
Falo e fumo,
conto histórias.
E no meio da fumaça
de repente vejo:
UFO, sifão,
Milan, nylon.
Tudo se encaixa:
flor, pá.
A pá vai pra terra,
abre uma fresta,
vemos um céu normal.
Todos, menos o toupeira.
É hora de ir embora.