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Tudo ao Contrário

Camila Benson

Todo Lo Contrario

Me sucede alguna noche,
cuando me hundo en el estrés,
que persigo a un gato pardo
y lo atrapo por los pies...
Y le cuento cada pata,
al derecho y al revés
y por más que los recuente
no me suman más que tres...

Y es como es,
ni sí ni no,
ni tú ni yo, ni mi yo,
ni dos sin tres,
ni lucha ni armonía
de contrarios
sinó
todo lo contrario,
todo lo contrario,
todo lo contrario,
como ves.

Me sucede con frecuencia,
nueve veces sobre diez,
que me parto en tres mitades,
al instante y de una vez...
Una juega a ser la Parte
y otra juega a ser el Juez
y aún hay otra parte entera
que no juega al ajedrez...

Me sucede casi siempre,
cuando se apaga la luz,
que me asalta la gran duda,
¿voy a cara o voy a cruz?
Y en lugar de hacerme el ciego
o emular al avestruz,
me dispongo a ser el ojo
que encendió el Perro Andaluz...

Tudo ao Contrário

Acontece em algumas noites,
quando me afundo no estresse,
que persigo um gato malhado
e o pego pelos pés...
E conto cada pata,
de um lado e do outro
e por mais que eu conte
não somam mais que três...

E é como é,
nem sim nem não,
nem você nem eu, nem eu,
nem dois sem três,
nem luta nem harmonia
de contrários
senão
tudo ao contrário,
tudo ao contrário,
tudo ao contrário,
como você vê.

Acontece com frequência,
nove vezes em dez,
que me divido em três partes,
de uma vez só...
Uma finge ser a Parte
e outra finge ser o Juiz
e ainda tem outra parte inteira
que não joga xadrez...

Acontece quase sempre,
quando a luz se apaga,
que me invade a grande dúvida,
vou de cara ou vou de cruz?
E em vez de me fazer de cego
ou imitar o avestruz,
me disponho a ser o olho
que acendeu o Cão Andaluz...