Acaso
Acaso una mirada me bastara,
mirarte y encontrar una palabra:
nada.
Tu nada con la mía entre las cosas,
decirse dos silencios infinitos,
juntar las bocas,
abrir los grifos,
que inunden nuestro humo las alcobas.
Que el tiempo no dependa de las horas,
que sólo nos apuren los latidos,
quemar las ropas,
sudar tomillo,
desnudos comulgar con la escayola.
Perderse en una fiebre sin memoria
que nadie nos rescate del instinto,
romper parodias,
hacerse añicos,
residuos de una absurda ceremonia
Acaso
Acaso um olhar me bastasse,
te ver e achar uma palavra:
nada.
Teu nada com o meu entre as coisas,
dizerem-se dois silêncios infinitos,
juntar as bocas,
abrir as torneiras,
que inundem nosso fumo os quartos.
Que o tempo não dependa das horas,
que só nos apresse os batimentos,
queimar as roupas,
suar tomilho,
desnudos comungar com a gesso.
Perder-se em uma febre sem memória
que ninguém nos resgate do instinto,
quebrar paródias,
fazer-se estilhaços,
resíduos de uma absurda cerimônia.