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Vai Como Vai

Camila Benson

Va Como Va

"Esto se acaba", me dijo con voz de congoja
al entrar por la puerta,
Culos de vaso sus ojos, la lágrima a punto
y la mirada muerta.
"Qué te pasa, cantautor", le pregunte
y entregándome el diario dijo: "lee".
Y leí y lloré
Un titular atacaba diciendo que ardía la vieja Lisboa
y el catalán heterónimo disparato:
"me han quemado a Pessoa".

Y así va como va,
va como va...

"Qué cosas dices", le dije y, mirando al espejo
siguió con el tema:
"Ya no soy dos, ni soy yo, ni soy nadie
ni Europa resiste a la quema".
Y mirándole a las lupas le rogué:
Transgaláctico no soy, explícate".
Me miró, le miré,
"esto se acaba, se acaba, y no hay más que aceptar
dignamente la ruina
Arde Lisboa, Venecia se hunde
y se cae la capilla Sixtina."

"No hay más patrón ni más ley ni más dios ni más rey
que el maldito dinero",
Dijo, furioso, mi amigo clavando en la diana
un disparo certero.
"No me tomes por idiota pero es que
No comprendo tu discurso", confesé.
Y me habló, le escuché
"Arte, poseía, belleza ¡qué extrañas palabras!,
¿serán un conjuro?
Hoy cualquier cerdo es capaz de quemar el edén
por cobrar un seguro."

Vai Como Vai

"Isso tá acabando", me disse com voz de desespero
ao entrar pela porta,
Olhos de quem tomou um soco, a lágrima prestes a cair
e o olhar sem vida.
"O que tá pegando, cantautor?", perguntei
entregando o jornal, ela disse: "lê".
E eu li e chorei
Uma manchete atacava dizendo que a velha Lisboa pegava fogo
e o catalão heterônimo doido:
"queimaram o Pessoa".

E assim vai como vai,
vai como vai...

"Que coisas você fala", eu disse e, olhando no espelho
ela continuou no assunto:
"Já não sou dois, nem sou eu, nem sou ninguém
nem a Europa resiste à queima".
E olhando pra ela, pedi:
"Transgaláctico não sou, se explica".
Ela me olhou, eu olhei pra ela,
"isso tá acabando, tá acabando, e só resta aceitar
dignamente a ruína
Lisboa arde, Veneza afunda
e a Capela Sistina desaba".

"Não há mais patrão, nem lei, nem deus, nem rei
que o maldito dinheiro",
disse, furioso, meu amigo cravando na diana
um tiro certeiro.
"Não me tome por idiota, mas é que
não entendo seu discurso", confessei.
E ela falou, eu escutei
"Arte, posse, beleza, que palavras estranhas!,
serão um feitiço?
Hoje qualquer porco é capaz de queimar o paraíso
pra ganhar um seguro."