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Velho Smoking

Carlos Gardel

Viejo Smoking

Campaneá cómo el cotorro va quedando despoblado
todo el lujo es la catrera compadreando sin colchón
y mirá este pobre mozo cómo ha perdido el estado,
amargado, pobre y flaco como perro de botón.

Poco a poco todo ha ido de cabeza p'al empeño
se dio juego de pileta y hubo que echarse a nadar...
Sólo vos te vas salvando porque pa' mi sos un sueño
del que quiera Dios que nunca me vengan a despertar.

Viejo smocking de los tiempos
en que yo también tallaba...
¡Cuánta papusa garaba
en tus solapas lloró!
Solapas que con su brillo
parece que encandilaban
y que donde iba sentaban
mi fama de gigoló.

Yo no siento la tristeza de saberme derrotado
y no me amarga el recuerdo de mi pasado esplendor;
no me arrepiento del vento ni los años que he tirado,
pero lloro al verme solo, sin amigos, sin amor;

sin una mano que venga a llevarme una parada,
sin una mujer que alegre el resto de mi vivir...
¡Vas a ver que un día de éstos te voy a poner de almohada
y, tirao en la catrera, me voy a dejar morir!

Viejo smocking, cuántas veces
la milonguera más papa
el brillo de tu solapa
de estuque y carmín manchó
y en mis desplantes de guapo
¡cuántos llantos te mojaron!
¡cuántos taitas envidiaron
mi fama de gigoló!

Velho Smoking

Campaneando como o papagaio vai ficando deserto
todo o luxo é a cama, camarada, sem colchão
e olha esse pobre rapaz como perdeu o jeito,
amargurado, pobre e magro como um cachorro de botão.

Pouco a pouco tudo foi de cabeça pro buraco
se deu jogo de piscina e teve que se jogar pra nadar...
Só você tá se salvando porque pra mim você é um sonho
do qual Deus queira que nunca venham me acordar.

Velho smoking dos tempos
em que eu também brilhava...
Quanta mulherada chorou
nas suas lapelas, ô!
Lapelas que com seu brilho
parece que ofuscavam
e que onde eu ia deixavam
minha fama de gigoló.

Eu não sinto a tristeza de saber que fui derrotado
e não me amarga a lembrança do meu passado esplendor;
não me arrependo do vento nem dos anos que joguei fora,
más choro ao me ver sozinho, sem amigos, sem amor;

sem uma mão que venha me levar pra uma parada,
sem uma mulher que alegre o resto da minha vida...
Você vai ver que um dia desses eu vou te usar de travesseiro
e, jogado na cama, vou deixar a vida me levar!

Velho smoking, quantas vezes
a milongueira mais bonita
o brilho da sua lapela
de estuque e carmim manchou
e nas minhas ousadias de galã
quanta lágrima te molhou!
Quantos caras invejaram
minha fama de gigoló!

Composição: Flores