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Margot

Carlos Gardel

Margot

Desde lejos se te manya, pelandruna abacanada
Que has nacido en la miseria de un convento de arrabal
Hay un algo que te vende, yo no sé si es la mirada
O tu cuerpo acostumbrado a las pilchas de percal
Ese cuerpo que hoy te marca los compases tentadores
Del candombe de algún tango en los brazos de algún gil
Mientras triunfa tu silueta y tu traje de colores
Entre el humo de los puros y el champán de Armenonville

Son mentiras no fue un guapo haragán ni prepotente
Ni un cafisho veterano el que al vicio te largó
Vos rodaste por tu culpa y no fue inocentemente
¡Berretines de bacana que tenías en la mente
Desde el día que un magnate de sus brillos te engrupió!

Yo recuerdo, no tenías casi nada que ponerte
Hoy usas ajuar de seda con rositas rococó
¡Me revienta tu presencia, pagaría por no verte
Si hasta el nombre te has cambiado como has cambiado tu suerte
Ya no sos mi Margarita, ahora te llaman Margot!

Siempre vas con los otarios a tirarte de bacana
A un lujoso reservado del Petit o del Julien
Y tu vieja, ¡pobre vieja! Lava toda la semana
Pa' poder parar la olla, con pobreza franciscana
En el triste conventillo alumbrado a kerosén

Margot

Desde longe se percebe, vagabunda deslumbrada
Que nasceu na miséria de um convento de subúrbio
Tem algo que te vende, não sei se é o olhar
Ou seu corpo acostumado com as roupas de percal
Esse corpo que hoje te marca os ritmos tentadores
Do candombe de algum tango nos braços de algum otário
Enquanto sua silhueta brilha e seu traje colorido
Entre a fumaça dos charutos e o champanhe de Armenonville

São mentiras, não foi um malandro preguiçoso nem arrogante
Nem um cafetão veterano que te jogou no vício
Você caiu por sua culpa e não foi inocentemente
Os delírios de rica que você tinha na cabeça
Desde o dia que um magnata com seus brilhos te enganou!

Eu me lembro, você quase não tinha nada pra vestir
Hoje usa roupas de seda com rosas rococó
Sua presença me irrita, pagaria pra não te ver
Se até o nome você mudou como mudou sua sorte
Você não é mais minha Margarita, agora te chamam de Margot!

Sempre vai com os otários se achando a rica
Pra um reservado luxuoso do Petit ou do Julien
E sua mãe, coitada! Lava a semana inteira
Pra conseguir colocar comida na mesa, com pobreza franciscana
No triste cortiço iluminado a querosene

Composição: Carlos Gardel / Celedonio Flores / José Ricardo