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Canchero

Carlos Gardel

Canchero

Para el récord de mi vida sos una fácil carrera
Que yo me animo a ganarte sin emoción ni final
Te lo bato pa'que entiendas, en esta jerga burrera
Que vos sos una potranca para una penca cuadrera
Y yo, che vieja, ya he sido relojeao pa'l Nacional

Vos sabés que de pebete tuve pinta de ligero
Era audaz, tenía clase, era guapo y seguidor
Por la sangre de mi viejo salí bastante farrero
Y en esas biabas de barrio figuré siempre primero
Ganando muchos finales a fuerza de corazón

El cariño de una mina, que me llevaba doblado
En malicia y experiencia, me sacó de perdedor
Pero cuando estuve en peso y a la monta acostumbrado
¡Que te bata la percanta el juego que se le dio!

Ya después en la carpeta empecé a probar fortuna
Y muchas noches la suerte me fue amistosa y cordial
Otras noches salí seco a chamuyar con la Luna
Por las calles solitarias del sensiblero arrabal

Me hice de aguante en la timba y corrido en la milonga
Desconfiao en la carpeta, lo mismo que en el amor
Yo he visto venirse abajo sin que nadie lo disponga
Cien castillos de ilusiones por una causa mistonga
Y he visto llorar a guapos por mujeres como vos

Ya ves que por ese lado vas muerta con tu espamento
Yo no quiero amor de besos, yo quiero amor de amistad
Nada de palabras dulces, nada de mimos y cuentos
Yo busco una compañera pa' decirle lo que siento
Y una mujer que aconseje con criterio y con bondad

Canchero

Para o registro da minha vida, você é uma corrida fácil
Que eu me arrisco a te ganhar sem emoção nem final
Te explico pra você entender, nessa gíria de quebrada
Que você é uma potranca pra uma penca de peão
E eu, ô velha, já fui observado pro Nacional

Você sabe que desde pequeno eu tinha jeito de ligeiro
Era ousado, tinha estilo, era valente e seguidor
Pela veia do meu pai, saí bem farrapeiro
E nas quebradas do bairro sempre fui o primeiro
Ganhando muitas finais na força do coração

O carinho de uma mina, que me deixava torto
Com malícia e experiência, me tirou do fracasso
Mas quando fiquei firme e acostumado à montaria
Que a mina bata o jogo que se deu!

Depois, na jogatina, comecei a tentar a sorte
E muitas noites a sorte foi minha amiga e cordial
Outras noites saí seco pra trocar ideia com a Lua
Pelas ruas solitárias do sensível subúrbio

Me fiz resistente na jogatina e corrido na milonga
Desconfiado na jogatina, assim como no amor
Eu vi desmoronar sem que ninguém mandasse
Cem castelos de ilusões por uma causa estranha
E vi homens chorarem por mulheres como você

Já viu que por esse lado você tá morta com seu espanto
Eu não quero amor de beijos, eu quero amor de amizade
Nada de palavras doces, nada de mimos e contos
Eu busco uma companheira pra dizer o que sinto
E uma mulher que aconselhe com critério e bondade

Composição: C. Flores, A. de Bassi