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Água Forte

Carlos Gardel

Acquaforte

Es medianoche, el cabaret despierta,
muchas mujeres, flores y champan;
va a comenzar la eterna y triste fiesta
de los que viven un ritmo y un afan.
Cuarenta años de vida me encadenan,
blanca la testa, viejo el corazón;
hoy puedo ya mirar con mucha pena
lo que otros tiempos mire con ilusión.

Las pobres muchachas,
cansadas de besos,
me miran extrañas,
con curiosidad...
Ya no me conocen
estoy solo y viejo.
Que triste es todo esto,
la vida se va!

Un viejo rico que gasta su dinero
emborrachando a Lulu con su champan,
hoy le nego el aumento a un pobre obrero
que le pidio un pedazo más de pan.
Aquella pobre mujer que vende flores
y fue en mi tiempo reina de Montmartre,
me ofrece con sonrisa unas violetas
para que alegren tal vez mi soledad.

Y pienso en la vida...
las madres que sufren,
los hijos que vagan,
sin techo y sin pan...
vendiendo "La Prensa",
ganando "dos guitas".
Que triste es todo eso,
quisiera llorar!

Água Forte

É meia-noite, o cabaré acorda,
muitas mulheres, flores e champanhe;
vai começar a eterna e triste festa
dos que vivem um ritmo e uma aflição.
Quarenta anos de vida me prendem,
cabelo branco, coração velho;
hoje posso olhar com muita pena
o que em outros tempos vi com ilusão.

As pobres garotas,
cansadas de beijos,
me olham estranhas,
com curiosidade...
Já não me conhecem,
estou só e velho.
Que triste é tudo isso,
a vida se vai!

Um velho rico que gasta sua grana
embriagando a Lulu com seu champanhe,
hoje negou o aumento a um pobre operário
que pediu um pedaço a mais de pão.
Aquela pobre mulher que vende flores
e foi em meu tempo rainha de Montmartre,
me oferece com um sorriso umas violetas
para talvez alegrar minha solidão.

E penso na vida...
as mães que sofrem,
os filhos que vagam,
sans teto e sem pão...
vendendo "A Prensa",
ganhando "duas moedas".
Que triste é tudo isso,
queria chorar!

Composição: Horacio Pettorossi / Carlos Gardel / Domingo Julio Vivas / Guillermo Barbieri / Angel Domingo Riverol