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Prisioneiro

Carlos Gardel

Prisionero

Salgan, amigos, de su engaño,
si piensan, como antaño,
llevarme de farra.
Sigan de largo por mi puerta,
que ya no estoy alerta
ni espero a la barra.
Algo más lindo que la calle,
que el trago y que los bailes
de adentro me agarra.
Dos manitas son,
en el mismo umbral,
las que pueden más que yo.

Porque ahora tengo un pibe
que es mi vida y mi ilusión,
que apacigua con ternura
tanta locura...
A mi casa trajo el cielo,
ángel de mi corazón,
y me tiene prisionero,
tan a gusto, compañeros,
que me quedo en la prisión!

Sigan, mis viejos camaradas,
sembrando carcajadas
camibo adelante...
Rían, conozco esa alegría
que pone, al otro día,
más triste que antes.
Déjenme al borde de esta cuna
cuidando mi fortuna
con ojos amantes.
Yo me quedo aquí,
nada iré a buscar,
más no ya puedo pedir.

Prisioneiro

Saí, amigos, do seu engano,
se pensam, como antes,
me levar pra farra.
Sigam em frente pela minha porta,
que já não tô alerta
e não espero na barra.
Algo mais bonito que a rua,
que a bebida e que as danças
de dentro me agarra.
Duas mãozinhas são,
na mesma entrada,
as que podem mais que eu.

Porque agora tenho um filho
que é minha vida e minha ilusão,
que acalma com ternura
tanta loucura...
Pra minha casa trouxe o céu,
anjo do meu coração,
e me tem prisioneiro,
tão à vontade, parceiros,
que fico na prisão!

Sigam, meus velhos camaradas,
sembrando risadas
caminho adiante...
Riam, conheço essa alegria
que deixa, no outro dia,
mais triste que antes.
Deixem-me à beira desse berço
cuidando da minha sorte
com olhos amantes.
Eu fico aqui,
nada vou buscar,
mas não posso pedir mais.

Composição: Anselmo Alfredo Aieta, Francis (Ar) Joe