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Sussurros de Chiclana

Carlos Gardel

Sos de Chiclana

Sos de Chiclana, no hay nada que hacer,
tu pedigré es del más puro arrabal;
hermana entera sos de aquella Ester
a quien los hombres trataron tan mal.

Mas si la otra cayó
su almita quedó
prendida al percal;
vos, en cambio, sos feliz,
gastás petigrís
y vas al pigal.

Pero hay algo en vos, bajo tu gran tren,
que grita "¡Chiclana!" a cuantos te ven.

Hoy supe que a París
te vas con un mishé
y, con tu gigoló,
cuánto nos alegramos...

Hacés muy bien:
aquí, todo acabó;
hoy te dice tu puerta
"entrarás sólo muerta".

Hoy salió el sol
para aquel pobre hogar
que osastes enlutar,
hoy los tuyos no lloran.

Desde París,
esta oración oirás:
"Señor, qué sea feliz
y que no vuelva a amar".

Cuando desfiles allá, por Longchamp,
la muchachada de aquí dirá al ver
tu linda estampa: "¡Milonga pur sang!"
Es tu Chiclana, no hay nada que hacer...

Y tu galope triunfal
dejará el tendal,
allá como acá;
y tu vieja, en un rincón,
alguna oración
por vos rezará.

Pero hay algo en vos, bajo tu gran tren,
que grita "¡Chiclana!" a cuantos te ven.

Sussurros de Chiclana

Sussurros de Chiclana, não há nada a fazer,
seu pedigree é do mais puro subúrbio;
sua irmã é a própria Ester
que os homens trataram tão mal.

Mas se a outra caiu
sua alma ficou
presa ao percal;
você, em contrapartida, é feliz,
gasta pedigree
e vai ao pigal.

Mas há algo em você, sob seu grande trem,
que grita "Chiclana!" a quem te vê.

Hoje soube que a Paris
você vai com um gringo
e, com seu gigolô,
quanto nos alegramos...

Você faz muito bem:
aqui, tudo acabou;
hoje sua porta
diz "só entra morta".

Hoje saiu o sol
para aquele pobre lar
que você ousou enlutá-lo,
hoje os seus não choram.

De Paris,
esta oração ouvirá:
"Senhor, que seja feliz
e que não volte a amar".

Quando você desfilar lá, por Longchamp,
a garotada daqui dirá ao ver
a sua linda estampa: "Milonga pur sang!"
É sua Chiclana, não há nada a fazer...

E seu galope triunfal
deixará o varal,
além como aqui;
e sua velha, num canto,
alguma oração
por você rezará.

Mas há algo em você, sob seu grande trem,
que grita "Chiclana!" a quem te vê.

Composição: