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Delírio Gaúcho

Carlos Gardel

Delirio Gaucho

Oh, paisanita divina
Reina hermosa de mi suelo
Virgencita del consuelo
De mis horas de aflicción

Ven aquí, junto a mi lado
Reclina tu cabecita
Y has de oír cómo palpita
Con delirio el corazón

Y verás, mi virgencita
Que al escuchar su latido
Te dirá lo que ha sufrido
Este paria por tu amor

Y aunque el destino o la suerte
Lo separe de tu lado
Sufre el gaucho resignado
En silencio su dolor

Cuando aparece el lucero
Irradiando luz divina
Creo ver tus ojos, china
Con su tierno parpadear

Vuelvo a mirar sus fulgores
Y su imagen entre brisas
Con una dulce sonrisa
Hacía mi alma delirar

Al reflejo de la Luna
De una noche adormecida
En el jardín de mi vida
De un paisaje seductor

La virgen de mi consuelo
Sentadita entre las flores
Oyendo a los payadores
Que cantan trovas de amor

Delírio Gaúcho

Oh, paisanita divina
Reina linda do meu chão
Virgencinha do consolo
Das minhas horas de aflição

Vem aqui, do meu lado
Reclina sua cabecinha
E vai ouvir como palpita
Com delírio o coração

E você verá, minha virgencinha
Que ao ouvir seu batimento
Te dirá o que tem sofrido
Esse paria por seu amor

E mesmo que o destino ou a sorte
O separe do seu lado
Sofre o gaúcho resignado
Em silêncio sua dor

Quando aparece o lucero
Irradiando luz divina
Acho que vejo seus olhos, china
Com seu terno piscar

Volto a olhar seus fulgores
E sua imagem entre brisas
Com um sorriso doce
Fazendo minha alma delirar

Ao reflexo da Lua
De uma noite adormecida
No jardim da minha vida
De uma paisagem sedutora

A virgem do meu consolo
Sentadinha entre as flores
Ouvindo os payadores
Que cantam trovas de amor

Composição: E. Gobbi