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Pobre Milonga

Carlos Gardel

Pobre Milonga

¡Milonguera! Lo quiso tu suerte
Y siempre pa' todos milonga serás
Hasta que te sorprenda la muerte
Ni amor, ni consuelo, ni nada tendrá

Milonga, nadie cree que sos buena
Tu martirio se prolonga y se ríen de tu pena
Milonga, tenés que seguir cantando
Aunque tu dolor se oponga
Pues si ven que estás llorando
Milonga, todos dicen que es chique

¡Pobre Milonga!
Es inútil que pretendas escaparte
Pobre muchacha
No hallarás quien se interese por salvarte
Siempre Milonga has de morir
Condenada a ser capricho
A no ser jamás mujer
Pisoteada por el mundo
Que mal fin vas a tener

¡Milonguera! Tu amor entregaste
A un hombre que nunca lo supo apreciar
Para el fuiste la eterna milonga
Que sabe tan solo beber y bailar

Llorando le pedías que creyera
En tu pena tan sincera
Y él decía desconfiado
Milonga, que ganas con engrupirme
¿Que tu amor es puro y firme?
Salí de ahí, que estás borracha
Muchacha, no bebas tanto champán

¡Pobre Milonga!
Tu tristeza y tu dolor nadie comprende
Pobre Milonga!
Para todos sos un cuerpo que se vende
Frágil muñeca sin corazón
Sin embargo, por las noches
En las casas de pensión
Interrumpen el silencio
Tus sollozos de dolor

Pobre Milonga

¡Milongueira! A sorte quis te pegar
E sempre pra todos milonga serás
Até que a morte te surpreenda
Nem amor, nem consolo, nem nada terá

Milonga, ninguém acredita que você é boa
Teu martírio se estende e riem da tua dor
Milonga, você tem que continuar cantando
Mesmo que tua dor se oponha
Pois se veem que você está chorando
Milonga, todos dizem que é frescura

¡Pobre Milonga!
É inútil tentar escapar
Pobre garota
Não vai encontrar quem se importe em te salvar
Sempre Milonga vai morrer
Condenada a ser capricho
A nunca ser mulher
Pisoteada pelo mundo
Que fim triste você vai ter

¡Milongueira! Teu amor entregaste
A um homem que nunca soube valorizar
Para ele, você foi a eterna milonga
Que só sabe beber e dançar

Chorando, você pedia que ele acreditasse
Na tua dor tão sincera
E ele dizia desconfiado
Milonga, que ganha em me enganar?
Que teu amor é puro e firme?
Sai fora, que você tá bêbada
Garota, não beba tanto champanhe

¡Pobre Milonga!
Tua tristeza e tua dor ninguém entende
Pobre Milonga!
Pra todos você é um corpo que se vende
Frágil boneca sem coração
No entanto, à noite
Nas pensões
Interrompem o silêncio
Teus soluços de dor

Composição: M. Joves / M. Romero