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Por Um Tango

Carlos Gardel

Por Un Tango

Oh mujer, que te fuiste llevando
La ilusión de unas horas felices
Por un tango de suaves matices
Que al son de una orquesta
Sonora vibró

Yo que vi tu existencia alejada
De las viles ruindades del fango
Hoy maldigo los sones del tango
Que pudo inducirte
A tan cruel acción

No he de pedirte que vuelvas
Y quiero que en tu abandono
Sepas que hasta sin encono
Te he sabido perdonar
Más no por esa indulgencia
De mi proceder te asombres
Porque yo soy de esos hombres
Que se saben resignar

Cuando se halle tu vida agotada
Por el vicio fatal y traidor
Como enferma mendiga, mi amor
Vendrás implorando como caridad
Pero es tarde, no tienes remedio
Yo no puedo vivir y quererte
Tú has cambiado mi plácida suerte
Y altivo la muerte prefiero afrontar

Te alejaste presurosa
Destruyendo la delicia
De tus ardientes caricias
Emblema de paz y amor
Y hoy, que no siento tus besos
De gentil enamorada
Pongo en tu vida pasada
Los ayes de mi dolor

Por Um Tango

Oh mulher, que se foi levando
A ilusão de horas felizes
Por um tango de suaves matizes
Que ao som de uma orquestra
Vibrante soou

Eu que vi sua existência distante
Das vilanias do lodo
Hoje amaldiçoo os sons do tango
Que pôde te induzir
A tão cruel ação

Não vou te pedir que volte
E quero que em seu abandono
Saiba que até sem rancor
Eu soube te perdoar
Mas não por essa indulgência
Do meu jeito de agir se espante
Porque eu sou desses homens
Que sabem se resignar

Quando sua vida estiver esgotada
Pelo vício fatal e traiçoeiro
Como uma mendiga doente, meu amor
Você virá implorando como caridade
Mas é tarde, não há remédio
Eu não posso viver e te amar
Você mudou minha sorte tranquila
E altivo, a morte prefiro encarar

Você se afastou apressada
Destruindo a delícia
De suas carícias ardentes
Emblema de paz e amor
E hoje, que não sinto seus beijos
De gentil apaixonada
Coloco em sua vida passada
Os gemidos da minha dor

Composição: J. M. Roffet, J. de Caro