Eparrei Oyá, eparrei minha mãe
Eparrei Oyá, rainha do vento
Sopra o vento, mãe, vendaval de axé
Varre a dúvida, varre o que não é
Sopra o vento, mãe, Oyá chegou
Quem estava preso, o vento soltou
Era sexta-feira, vela acesa
Dia de oxalá, mas a casa pesa
Ano começa todo revirado
Sonho e frustração, tudo misturado
Chuva cai, o vento gira
A vela dança, a porta respira
Não foi erro, foi decisão
Iansã varrendo o coração
Sopra o vento, mãe, vendaval de axé
Leva a incerteza, traz fé, traz fé
Sopra o vento, mãe, sacode o chão
Cortina a porta, espírito e coração
No outro dia, acordei agitado
Arrumei um espaço, joguei fora o pesado
Limpei o estúdio, limpei o olhar
O que não vibra não pode ficar
Arte é vibração, corpo é movimento
Tudo que é denso vai com o vento
Iansã não fala, Iansã faz
Quem não escuta sente a traí
Se recusa ao recado, aprende no chão
Porque vento também é lição
Oyá, leva embora
Oyá, agora é a hora
Oyá, vento passou
Quem estava preso se libertou
Vento leva mágoa, vento leva dor
Sopro dissolve o que tirou nó
Não é palavra, é ação
Alguém tem que ventar a sensação
Quem salva quem? Pergunta no ar
Talvez só um axé pra continuar
Tecnologia e magia, Ogum me veste todo dia
Mas quem gira corta e sacode
É Iansã que ninguém segura e ninguém pode
Sopra o vento, mãe, vem vendaval de axé
Leva essa dúvida, preenche com fé
Sopra o vento, mãe, Oyá chegou
Quem estava em sombra, o vento clareoou
Eparrei Oyá
Eparrei minha mãe
Um beijo, mamãe