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Covarde

Celedonio Flores

Cobarde

Las leyes te amparan.
¡Qué saben los hombres!
Los hombres que saben de tanto dolor,
qué saben las leyes de penas de madre,
la ley de los hombres es odio y rencor.

No vengo a pedirte que vuelvas conmigo,
ni vengo a implorarte conmiseración;
borracha de rabia, yo vengo a decirte
que lo que tu has hecho no tiene perdón.

Cobarde mil veces, mil veces cobarde
el hombre que jura y no sabe cumplir;
y tu me juraste por tu santa madre,
que antes de dejarme te ibas a morir.

Cobarde mil veces, mil veces cobarde
el hombre que un día se fue y no volvió;
el hombre que un día juró por la madre
y aquel juramento, más tarde, olvidó.

Que vas a casarte, y a mi que me importa;
que ya necesitas formar un hogar;
que, pasando el tiempo, yo podré olvidarte
porque así lo quiere la fatalidad.

Que no me preocupe, que a mi y a la nena
lo más necesario no nos faltará;
tu hija no es tuya, su canción de cuna,
para que lo aprenda, así lo dirá.

Covarde

As leis te protegem.
O que sabem os homens!
Os homens que conhecem tanta dor,
o que sabem as leis sobre a dor de mãe,
a lei dos homens é ódio e rancor.

Não venho te pedir pra voltar comigo,
nem venho implorar por compaixão;
bêbada de raiva, venho te dizer
que o que você fez não tem perdão.

Covarde mil vezes, mil vezes covarde
é o homem que jura e não sabe cumprir;
e você me jurou pela sua santa mãe,
que antes de me deixar, ia morrer.

Covarde mil vezes, mil vezes covarde
é o homem que um dia foi e não voltou;
é o homem que um dia jurou pela mãe
e aquele juramento, mais tarde, esqueceu.

Que você vai se casar, e pra mim que importa;
que já precisa formar um lar;
que, passando o tempo, eu poderei te esquecer
porque assim quer a fatalidade.

Que eu não me preocupe, que pra mim e pra menina
o que é necessário não vai faltar;
sua filha não é sua, sua canção de ninar,
para que aprenda, assim dirá.

Composição: