395px

Milonga Fina

Celedonio Flores

Milonga fina

Te declaraste Milonga fina
cuando dejaste el arrabal,
el traje mishio de percalina
y la puntilla del delantal.
El moño rojo, que te ponías,
tan paradito... tan coquetón...
y aquello mozos que te traías
cuando salías a patacón.

Yo no lucís tu silueta
de pebeta de arrabal
y dejaste la querencia,
pobrecita, por tu mal.
Ya no pasás tentadora
camino del almacén,
y un pobre mozo te llora
solamente por tu bien.

Ya no te ronda la mishiadura
hoy por las calles triunfás pasá.
Con un poquito más de amargura
que con tu risa disimulás.
Para engrupirte, para olvidarte,
por todo aquello que ya pasó.
Y aquel mocito que por llorarte,
un día triste, pobre murió.

Te declaraste Milonga fina
cuando te fuiste con aquel gil,
que te engrupía con cocaína
y te llevaba al Armenonvil,
donde al compás de un tango canero,
ibas perdiendo la realidad,
y los chamuyos de un milonguero
te pervirtieron, con su maldad.

Milonga Fina

Você se declarou Milonga fina
quando deixou o subúrbio,
o traje simples de percalina
e a rendinha do avental.
O laço vermelho que você usava,
tão arrumadinho... tão charmoso...
e aqueles caras que você trazia
quando saía pra dançar.

Eu não vejo mais sua silhueta
de garota do subúrbio
e você deixou a sua essência,
pobrezinha, por causa do seu mal.
Já não passa mais sedutora
caminho do armazém,
e um pobre cara te chora
só por seu bem.

Já não te persegue a simplicidade
oh, pelas ruas você brilha agora.
Com um pouquinho mais de amargura
do que com seu sorriso disfarçado.
Pra te enganar, pra te esquecer,
pelo que já passou.
E aquele garoto que por te chorar,
um dia triste, pobre morreu.

Você se declarou Milonga fina
quando foi embora com aquele idiota,
que te enganava com cocaína
e te levava pro Armenonvil,
donde ao som de um tango de rua,
você ia perdendo a realidade,
e as conversas de um dançarino
to te corromperam, com sua maldade.

Composição: