Je Rentre Chez Nous
Tous mes démons calmes tous mes volcans éteins
Rongé par le cancer de ton corps et tes lèvres
Plus réfléchi qu'hier moins sage que demain
Je rentre chez nous en fièvre
J'étais parti jurant que c'était pour toujours
Je devrais me cracher cent fois à la figure
Et m'arracher le coeur pour l'offrir aux vautours
Je rentre chez nous parjure
Ma bouche étais salive et mon coeur était sec
Quand je faisais l'amour sans amour par réflexe
Aux vierges effrayées prises du bout du bec
Comme on prend un café sur le comptoir du sexe
Et comme un roi déchu abdiquant par amour
Avec encore aux lèvres un âpre goût de cendre
Mon coeur au grand galop fait le compte à rebours
Je rentre chez nous me rendre
Sorti de mes enfers en voulant voir les cieux
J'ai eu des paradis artificiels et fades
N'ayant ni vu le diable ni rencontré Dieu
Je rentre chez nous malade
Étouffant tout orgueil tout en me vomissant
Aux sources de mes maux pour retrouver mes chaînes
Et célébrer nos noces de larmes et de sang
Je rentre chez nous sans haine
Ouvertes ou fermées mes prisons sont en moi
Ma vie n'est pas ma vie si tu n'en es le centre
Et crever pour crever autant crever sur toi
Esclave de ton corps planté dans ton bas-ventre
N'ayant rien résolu je reviens sur mes pas
Pour toute honte bue rabâcher mes "je t'aime"
Sachant qu'à petit feu tu me suicideras
Le coeur à genoux
Revenu de tout
Je rentre chez nous quand même
Estou Voltando pra Casa
Todos os meus demônios calmos, todos os meus vulcões apagados
Correndo o risco do câncer do seu corpo e seus lábios
Mais reflexivo que ontem, menos sábio que amanhã
Estou voltando pra casa com febre
Eu tinha saído jurando que era pra sempre
Deveria me cuspir cem vezes na cara
E arrancar meu coração pra oferecer aos abutres
Estou voltando pra casa, perjuro
Minha boca era saliva e meu coração estava seco
Quando eu fazia amor sem amor, por reflexo
Com as virgens assustadas, pegas pelo bico
Como se toma um café no balcão do sexo
E como um rei deposto, abdicando por amor
Com ainda nos lábios um amargo gosto de cinzas
Meu coração a mil por hora faz a contagem regressiva
Estou voltando pra casa pra me render
Saindo dos meus infernos querendo ver os céus
Tive paraísos artificiais e sem graça
Não tendo visto o diabo nem encontrado Deus
Estou voltando pra casa doente
Sufocando todo orgulho, enquanto me vomito
Nas fontes das minhas dores pra reencontrar minhas correntes
E celebrar nossas núpcias de lágrimas e sangue
Estou voltando pra casa sem ódio
Abertas ou fechadas, minhas prisões estão em mim
Minha vida não é minha vida se você não é o centro
E se é pra morrer, que seja morrendo por você
Escravo do seu corpo, cravado no seu baixo ventre
Não tendo resolvido nada, volto sobre meus passos
Pra toda vergonha engolida, repetir meus "eu te amo"
Sabendo que aos poucos você vai me suicidar
O coração de joelhos
Voltando de tudo
Estou voltando pra casa mesmo assim