La olla
Tengo una olla llena de caca
Hace ya casi un año que dejé de ir al baño para el momento
de poner esta olla a fuego lento
Y en la nevera recolecto la mierda con gran sigilo
ha llegado hasta el tope ya van diez kilos
De izquierda a derecha voy removiendo
de izquierda a derecha
y no veas colega qué peste echa
Mágica olla, néctar hediondo
Ya parece que cuece, salen pompas de heces marrón pastoso
arrebaño en el fondo el último poso
Y se expanden los gases, el hedor se apodera de la escalera
desde el ático a casa de la portera
Bailan las moscas, burbujean las heces con gran salero
y devuelven la cena los del tercero
Olla caliente, fuertes olores
Cuarenta grados, a mediados de agosto y la mierda hirviendo
hay desmayos, suicidios, gente corriendo
Chisporrotea, qué textura más suave tiene la crema
aderezo con mocos y alguna flema
Fondue de mierda, culinaria locura con tarzanitos
qué manjar suculento tan exquisito
Voces que insultan, tocan la puerta
Qué es lo que pasa, le digo a la portera y al presidente
con restos de zurullos entre los dientes
"Es que el inmueble apesta de una forma desagradable
a excremento y creemos que usted es culpable"
"No sea cotilla", le repito, portera, "no sea cotilla"
digo mientras me ajusto la mascarilla
Tengo una olla, manantial descompuesto, apestosa magia
qué afición tan extraña la coprofagia
A panela
Tenho uma panela cheia de cocô
Já faz quase um ano que parei de ir ao banheiro pra isso
Deixei essa panela no fogo brando
E na geladeira vou coletando a merda com muito cuidado
Já chegou até o topo, já são dez quilos
De um lado pro outro vou mexendo
De um lado pro outro
E não acredita, amigo, que fedor que tá
Panela mágica, néctar fedido
Já parece que tá cozinhando, saem bolhas de fezes marrons
Vou juntando no fundo o último resíduo
E os gases se espalham, o cheiro toma conta da escada
Do sótão até a casa da porteira
As moscas dançam, as fezes borbulham com muito estilo
E os do terceiro devolvem o jantar
Panela quente, cheiros fortes
Quarenta graus, em pleno agosto e a merda fervendo
Tem desmaios, suicídios, gente correndo
Estala, que textura mais suave tem o creme
Tem um toque de muco e alguma fleuma
Fondue de merda, loucura culinária com tarzanitos
Que iguaria suculenta tão requintada
Vozes que xingam, batem na porta
O que tá acontecendo, eu digo pra porteira e pro presidente
Com restos de cocô entre os dentes
"É que o imóvel tá fedendo de um jeito desagradável
A excremento e achamos que você é o culpado"
"Não seja fofoqueira", eu repito, porteira, "não seja fofoqueira"
digo enquanto ajusto minha máscara
Tenho uma panela, manancial podre, mágica fedida
Que hobby tão estranho é a coprofagia