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Honestidade Virou Luxo

Cláudio Fontenelle

No rastro desse crepúsculo de chumbo
Onde o ouro é lama e a lama é o mundo
Valores em liquidação na vitrine
Onde o vício é virtude e a ética é o crime

Onde o vício é virtude e a ética é o crime
O asfalto fala em códigos de traição
Mina de silêncio na palma da mão
Bagulho tá torto, a régua quebrou

A régua quebrou
Onde o certo é piada e o caos triunfou
A gente colhe o espinho enquanto o destino aposta
O crime está no poder do jeito que o diabo gosta

Falso respeito, agora é só uma hashtag
Na lógica doentia que o sistema verte
Ridicularizam o tronco que ainda se mantém de pé
E vendem a mentira como se fosse fé

O desequilíbrio é a nova arquitetura
Relações de vidro em terra de loucura
Ninguém olha nos olhos, só pro próprio umbigo
Transformando o irmão em mero inimigo

O crime está no poder do jeito que o diabo gosta
A gente colhe o espinho enquanto o destino aposta
O crime está no poder do jeito que o diabo gosta
Será que ainda dá tempo de quebrar esse ciclo?

Ou o poço é fundo demais pro nosso auxílio?
A luz do sol é quente, mas a alma tá fria
Perdidos na inversão da nossa própria agonia
O crime está no poder do jeito que o diabo gosta

Só resta a gente, axé

Composição: Claudio Fontenelle