Quem não consome é o refugo da engrenagem
A sombra descartada no fim da paisagem
O código de barras é o atestado de vida
Quem foge ao padrão é uma alma esquecida
As paredes guardam o silêncio do que a gente não diz
Onde a batalha é interna e a máscara é a matriz
Caminhamos em Loop, absurdos em nós mesmos
Entre vitrines de vidro e abismos suspensos
A luta invisível, não paga o aluguel da alma
A cidade consome a nossa paz e a nossa calma
Somos engrenagens tentando provar que há valor
Num sistema que mede a vida pelo grau da dor
Quem não consome é o refugo da engrenagem
A sombra descartada no fim da paisagem
O código de barras é o atestado de vida
Quem foge ao padrão é uma alma esquecida
Jogado no canto, sem preço e sem nome
Onde o vazio do outro é o que mais nos consome
Descartável, invisível, fora do radar
Ninguém nota o brilho de quem não pode comprar
O algoritmo sabe o que você vai sentir
Antes mesmo que você decida por insistir
Mas quem não tem crédito, também não tem voz
A máquina nos cospe e esquece de nós
A máquina nos cospe e esquece de nós
Lutas de classes vestidas de batalha mental
Onde a saúde é um luxo e o fim é natural
O lixo humano se acumula na calçada fria
Enquanto o Shopping Center brilha em plena agonia
Quem não consome é o refugo da engrenagem
A sombra descartada no fim da paisagem
O código de barras é o atestado de vida
Quem foge ao padrão é uma alma esquecida
Jogado no canto, sem preço e sem nome
Onde o vazio do outro é o que mais nos consome
Descartável, invisível, fora do radar
Ninguém nota o brilho de quem não pode comprar
Na alegria dos Súcias
Coleira dos Histriões
Dos Estólidos chamados Néscios
No reino de Alimária, da família Estorvo
Cláudio Fontenelle!
Refugo!
Apenas refugo!
Invisível!
Descartado!