Eu quero ver a terra seca tremer
É Ojuara cabra macho pra valer
No arrudeio aperreado vem o Brás
A Colorado espanta até o Satanás
Vem ponteando a viola
Homi fagueiro, malandragem de cordel
No chão rachado ele caminha, o casco engrossa
O viajeiro do sertão fez mundaréu
No seu cangote a serpente deu um nó
Uma bodega parecia um xilindró
Chega dia quando a peste arriégua
Pega a trouxa e passa a régua
Rumo a São Saruê
O Preto Véio na fumaça do cachimbo
Oh mizifio, mil pelejas pra vencer
O cão tinhoso arrepiou o espinhaço
Quando viu o caboclo brabo
Violeiro quem contou
Aperreado, esbugaiou os zóio da onça
Expulsou inté a sombra
E o cangaço encantou
Xodó danado nas veredas, um chamego
Lhe deu um cheiro a linda flor do cabaré
Em cada gole manifesta poesia
Destila valentia ante tudo o que vier
O cavaleiro que se topa com a morte
Não tem revólver, é na base do facão
No paraíso sertanejo não há fome
Sagrada seja a Canaã do meu sertão
Composição: Marcus Lopes, Andre Mattos, Anderson Monks, Léo Augusto, Abraão Santos, Roberto Holanda, Henrique do Hc, Hyder Oliveira