Saí de casa em dia escuro
O galo nem cantou
Beijei minha esposa e meus filhos
Pedi a Deus proteção
A estrada me chama, é dura
Mas é meu ganha-pão
Levo saudade no peito
E fé no meu coração
O rádio estiando notícias
Café frio no painel
O mundo girando lá fora
E eu sozinho ao léu
Mas quem vive de volante
Conhece bem esse papel
De chorando por dentro
E sorrindo pro céu
Lá longe um clarão estranho
Cortando a imensidão
Um freio gritando alto
Perdi a direção
Foi tudo tão de repente
Só ouvia a explosão
Depois disso silêncio
Vazio na escuridão
E lá em casa o desespero
Sem notícia pra acalmar
Minha mãe de joelho
Pedindo pra eu voltar
Minha esposa abraçada
Com os filhos a chorar
Sem saber se eu tava vivo
Ou se não ia mais voltar
Mas Deus escreveu meu nome
Pra não ser o fim ali
No meio do aço e da morte
Escolheu cuidar de mim
Se hoje eu conto essa história
Foi milagre eu sobrevivi
A mão de Deus me segurou
Quando eu já tava por partir
Disseram que eu já tinha partido
Que não tinha reação
Corpo frio na cabine
Sem nenhuma respiração
Mas Deus soprou vida em mim
No meio da escuridão
E o que era despedida
Virou testemunha então
E lá em casa o desespero
Sem notícia pra acalmar
Minha mãe de joelho
Pedindo pra eu voltar
Minha esposa abraçada
Com os filhos a chorar
Sem saber se eu tava vivo
Ou se não ia mais voltar
Mas Deus escreveu meu nome
Pra não ser o fim ali
No meio do aço e da morte
Escolheu cuidar de mim
Se hoje eu conto essa história
Foi milagre eu sobrevivi
A mão de Deus me segurou
Quando eu já tava por partir
Quando cheguei lá em casa
Nem consegui falar
Minha mãe me abraçou forte
Começou a chorar
Minha esposa ajoelhada
Só sabia agradecer
E meus filhos me olhando
Sem entender o porquê
Hoje eu pego a estrada
Mas não saio como antes
Levo Deus no volante
E fé a cada instante
Porque eu vi de perto a morte
E também o milagre
E quem volta da beira
Nunca mais é o mesmo homem