395px

Rua Projetada

Condoizelles

Rua Projetada

Moro na casa de piso de taco antigo
Terreno bem perto de um braço morto de rio
Moro num lote em declive de mato crescido
Na terra cansada que esconde um brejo bonito

Moro na encosta de um pico de barro escorrido
Na selva asfixiada rachando o ladrilho
No alto um Sol de fuligem, vermelho encardido
No peito a fumaça de tosse incomoda o vizinho

Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque

E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho

Moro na rua que dava num riacho limpo
Que tinha uma pedra sagrada de um povo ameríndio
Na curva que tinha um roçado hoje é concreto erguido
Havia um cheiro de mato, hoje fede a lixo

Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque
E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Rua Projetada

Moro na casa com piso de taco antigo
Terreno bem perto de um braço morto de rio
Moro num lote em declive, cheio de mato
Na terra cansada que esconde um brejo bonito

Moro na encosta de um pico de barro escorrido
Na selva sufocada, rachando o ladrilho
No alto, um Sol de fuligem, vermelho encardido
No peito, a fumaça de tosse incomoda o vizinho

Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque

E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho

Moro na rua que dava num riacho limpo
Que tinha uma pedra sagrada de um povo indígena
Na curva que tinha um roçado, hoje é concreto erguido
Havia um cheiro de mato, hoje fede a lixo

Vi sentado a várzea verde virar um bairro
Um gramado seco e feio já foi um bosque
E o rio não faz mais curva
A rua e seus meninos
À própria sorte
A vida segue seu caminho
Padrasto, velho e filho

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Toda distância é igual
Mas nunca mais foi belo
Nunca mais o cheiro
Nunca mais o som

Composição: Michell Niero