Aprendi do jeito mais difícil dessa estrada
Nem todo aperto de mão vem de alma alinhada
Tem sorriso que disfarça o peso da traição
Esperando a porta aberta pra tomar meu chão
Hoje o meu silêncio vale mais que discussão
Quem perdeu meu endereço foi por própria decisão
Não foi o tempo, nem o vento que mudou meu coração
Foi a verdade levantando cerca em volta do portão
O não que eu digo não nasceu por vaidade
Nasceu das cicatrizes que deixaram pela metade
O meu não é arame farpado
Fere quem tenta invadir o que é sagrado
Quem odeia ver minha mudança nunca foi irmão
Só perdeu a chave da minha casa e reclama do portão
Minha paz não tem preço, não está à venda, não
Prefiro dormir sozinho do que abrir espaço pra destruição
A solidão cobra caro eu sei quanto ela custou
Mas bem mais caro foi o caos que tanta gente deixou
Antes um castelo vazio do que festa com ladrão
Quem saqueia a sua alma nunca traz reconstrução
Não me sinto mais culpado por fechar o meu lugar
Quem me ama bate à porta, sabe a hora de chegar
Quem respeita minha história não precisa arrombar
Nem confunde liberdade com direito de entrar
Se a visita reclama da cerca levantada
Talvez nunca quisesse ver minha alma restaurada
Quem vem em paz não teme muro nem portão
Só quem carrega segundas intenções
O meu não é arame farpado
Protege o pouco que a vida deixou guardado
Não deixo a porta aberta pro vento nem pra poeira
Nem pra quem transforma paz em fogueira
Se isso incomoda alguém tudo bem
Minha paz é inegociável, e dessa vez ela fica com ninguém