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Sangue no Meu Jeans

Crônicas de Um Babaca

De outros carnavais
Em outra vida talvez tive paz
Bebemos guerras
Sangue no meu jeans
Sampleando jazz
Ligo a TV trocando os canais
Procuro o meu amor dentro de mim

Na última parada desse trem
Comprei do ambulante um novo rim
Respiro em baixo d'água num convés
Se afogar não funcionou pra mim
O mar que navegamos tanto faz

É o corre do dinheiro
Nem ele é real ou verdadeiro
Números em conta no estrangeiro
Do underground dentro do bueiro
Fumando meu relógio num cinzeiro
Conselho do mais velho é ser ligeiro

Escuta quem é sábio
Sabia que eu devia ter um carro
No Uber não pode fumar cigarro
Melhor conversa é quando eu tô calado
De fone de ouvido embriagado

Voltando de uma festa com uma mina que eu não sei o nome
Comer só por comer não vai matar minha fome
Meu vazio é grande igual meu sobrenome
Eu conheci um rei me apelidou de Johnny

Tirando força onde não tem
Liberdade não existe aonde os muros te protegem
Fabricamos gente triste
Prefiro um uniforme bege
Do que morrer como um ninguém

Às vezes só não tô legal
Não convém ser tão superficial, tudo bem
Não saber o que falar tá normal, eu também
Não acerto de primeira
Viver é um erro

Todo teste é a droga da segunda-feira
Rico investe em faculdade
Nós se mata por dinheiro, tranquilão
Limpo o sangue, amanhã é terça-feira
Dou um tapa no visual e
Eu fico atrás só pra ver ela passar na quarta-feira
Eu tenho sonho quinta esqueço
Na sexta mando se fuder
Volto ao começo

Eu não peço, ela me dá
Por achar que eu mereço
Entro no jogo
Quem não dança vai ficar chupando dedo
Então balança

Jogo perfume na nuca
Os urubu que fica em cima gera toda fagulha
Os holofote vira as costa se é o que tanto procura
Deixa fluir
Não corro atrás da sorte
Mas se ela quiser eu tô na luta

Vagabundo mil grau sim
Tem os mais maluco por mim
Eu peço truco com rei
Se tu quiser saber como eu ganhei
Paga pra ver
Até no blefe eu não ensino o que eu sei
Eu tenho instinto de [?] dessa maldade n'ocês
Minha indiferença mata tudo
Meu cão de guarda chinês
Chamo de toma lá, dá cá
Meu mano eu nunca briguei
Se precisar o berro morde na régua, régua

Composição: Patrício Sid, Crônicas de Um Babaca