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Só

Crônicas de Um Babaca

Tenho olhado pouco pra minha vida
Louco de parada
Desinteressado num me inspiro em nada
Doida essa menina
Mora na minha casa
Fez de mim sua morada

Liberdade morreu nesse condomínio
Muros altos protegem o medo
A gente dá risada em segredo
Quem se leva a sério não entendeu nada

Não vim pra salvar ninguém
Seu super-herói morreu de depressão
Capital não perdoa seus sonhos nem sua ambição
Transito pelos becos de minha solidão
Nem He-Man entenderia o drama dessa dimensão

Crescemos nessa vertical, parte dessa engrenagem surreal
Pego o trem
Rumo a algum lugar que não me faça mal
Onde tem?
A planta mais pura desse pantanal
De onde vem?

Sínico, apático
Frio como o Ártico
Meu laudo clínico não constava simpático
Louco, anti-atlético
Fabricando a cura
Um lunático

Um maluco no pedaço
Quebradíssimo
Canto os cacos de mim
Bebendo líquidos
Tão suspeito quanto clássicos

Tão só, tão solto
Tão alto, tão pouco
Tão vivo, tão morto
Tão lindo, tão bobo
Pro crime, pro jogo
Pro filme, pra trama
Pro troco

Fronteiras não me alcançarão
Balas traçando esse céu
Da minha sacada bronzeio o pulmão

Tão só, tão solto
Tão alto, tão pouco
Tão vivo, tão morto
Tão lindo, tão bobo
Pro crime, pro jogo
Pro filme, pra trama
Pro troco

Composição: Patrício Sid, Crônicas de Um Babaca