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Verdades Que Jura Que Sabe

Danielle de Aguiar

Vizinha de parede, mas distante no olhar
Ela quer o riso solto, mas tem medo de chegar
Trava o passo no batente, perde a voz na direção
O Sol brilha lá fora, mas ela arrasta a solidão
Fez um pacto com o destino, mas o pé sempre resvala
Decora a casa dos outros e esquece da própria sala

Verdades que ela inventa
O mundo manda sinais, mas ela desligou o som
Verdades que ela inventa
Traçou o melhor caminho
Mas travou no caminho e recuou pro edredom

Busca o aconchego, mas a luz fica acesa
Foge do próprio teto, vira sombra na incerteza
Diz que abraça a arte, que o caos é inspiração
Mas quando alguém bate à porta, ela se tranca no porão
Enquanto a visita espera, a cadeira continua vazia
E o prato esfria na mesa, num resto de agonia

O medo é o vizinho que mora no elevador
Ela serve café preto pra disfarçar o pavor
Diz que vai pegar a estrada, que vai viver sem pesar
Mas volta antes do Sol, com o passo cansado de tanto esperar

Verdades que ela inventa
O mundo manda sinais, mas ela desligou o som
Verdades que ela inventa
Traçou o melhor caminho
Mas travou no caminho e recuou pro edredom

Dançando entre os cacos, varre a dor pra baixo do tapete
Diz que o passado passou, mas vive presa no balancete
O pó sobe no ar, as contas nunca vão fechar
Perde a hora no ponto, vendo o ônibus passar
Tem mil versões na mala, um disfarce em cada mão
Mas no fundo é só areia travando o motor do coração

Tudo bem, tô bem, ela diz com filtro e cor
Mas a xícara está rachada, escondendo o seu valor
Quem sabe um dia ela entenda, nessa trilha de agonia
Que não precisa estar inteira
Pra receber a visita da própria alegria

Composição: Danielle de Aguiar Carvalho de Vasconcelos