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Ria, Palhaço

Dante A. Linyera

Ridi, Pagliaccio

Oí que ahí cruza la alegre comparsa,
La procesión que derrama el olvido...
Hoy arlequín no se ha puesto careta
Porque esta fiesta no es el carnaval...
No es esta turba la que hace la farsa
Ni esta ficción delirante de ruido...
El carnaval que ha glosado el poeta
Es la comparsa mundana y social.

Carnaval... ridi, pagliaccio...
Ya se ha ido pulchinela...
Mírala allí cómo brilla y fascina...
Sal a bailar... allí está colombina...
La venció su propia treta
Y, derrotada y sin calma,
Verás, iluso, que hoy lleva careta
Tan sólo en su transido corazón...

Canción alegre, bulliciosa danza,
Eso que ves en la sala suntuosa
No creas que es otra cosa que hastío
Que desparraman en este festín...
Dolor, miseria, sin una esperanza,
El triste amor ultrajado, vencido,
Sólo eso, más la comedia, ¡dios mío!
Es la de todos los días de esplín.

Ria, Palhaço

Olha que aí passa a alegre folia,
A procissão que espalha o esquecimento...
Hoje o arlequim não pôs a máscara
Porque essa festa não é carnaval...
Não é essa turba que faz a farsa
Nem essa ficção delirante de barulho...
O carnaval que o poeta cantou
É a folia mundana e social.

Carnaval... ria, palhaço...
Já se foi o pierrô...
Olha lá como brilha e fascina...
Vá dançar... lá está a colombina...
Ela foi vencida pela própria armadilha
E, derrotada e sem calma,
Verás, iludido, que hoje usa máscara
Só no seu coração cansado...

Canção alegre, dança barulhenta,
Isso que você vê na sala luxuosa
Não pense que é outra coisa que tédio
Que se espalha nesse banquete...
Dor, miséria, sem uma esperança,
O triste amor ultrajado, vencido,
Só isso, mais a comédia, meu Deus!
É a de todos os dias de spleen.