No Dia das Mães ela tenta sorrir na janela
Mas o quarto vazio faz lembrar da novela
Filho saiu cedo, prometeu voltar
Mas a rua abraçou e não quis mais soltar
Sirene corta a noite, lágrima no olhar
Mais uma mãe de joelho tentando rezar
Foto no retrato, saudade no peito
Ela perde o filho e o mundo segue do mesmo jeito
Tem mãe chorando filho perdido pro pó
Vendo o sonho morrer e ficando tão só
A droga levou o brilho do menino
Transformou esperança em destino assassino
Outra mãe recebe notícia no portão
Seu filho caiu, destrói o coração
Bala da farda ou guerra da favela
No Dia das Mães só restou acender vela
Então abraça sua mãe enquanto dá tempo
Porque a vida voa igual fumaça no vento
Tem mãe guerreira sofrendo em silêncio
Carregando a dor e o peso do sofrimento
Que Deus conforte quem vive essa dor
Toda mãe merece respeito e amor
No céu ou na terra o filho sempre vive
Dentro da memória que uma mãe nunca divide