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Caminhos

David DeMaría

Cantares

Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar

Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón

(Se hace camino al andar)

Me gusta verlos pintarse
De sol y grana, volar
Bajo el cielo azul, temblar
Súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria

Nunca perseguí la gloria
Caminante, son tus huellas
El camino y nada más
Caminante, no hay camino
Se hace camino al andar

Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar

Caminante no hay camino
Sino estelas en la mar

Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar:
"Caminante no hay camino
Se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse le vieron llorar:
"Caminante no hay camino
Se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
"Caminante no hay camino
Se hace camino al andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

(Golpe a golpe, verso a verso...)
(Se hace camino al andar...)

Caminhos

Tudo passa e tudo fica
Mas o que é nosso é passar
Passar fazendo caminhos
Caminhos sobre o mar

Nunca busquei a glória
Nem deixar na memória
Dos homens minha canção
Eu amo os mundos sutis
Leves e gentis
Como bolhas de sabão

(Se faz caminho ao andar)

Gosto de vê-los se pintarem
De sol e vermelho, voar
Sob o céu azul, tremer
De repente e se quebrar
Nunca busquei a glória

Nunca busquei a glória
Caminhante, são suas pegadas
O caminho e nada mais
Caminhante, não há caminho
Se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
E ao olhar pra trás
Vê-se a trilha que nunca
Se deve voltar a pisar

Caminhante, não há caminho
Apenas rastros no mar

Faz algum tempo naquele lugar
Onde hoje as florestas se vestem de espinhos
Ouviu-se a voz de um poeta gritar:
"Caminhante, não há caminho
Se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Morreu o poeta longe de casa
Coberto pela poeira de um país vizinho
Ao se afastar, o viram chorar:
"Caminhante, não há caminho
Se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

Quando o canário não pode cantar
Quando o poeta é um peregrino
Quando de nada adianta rezar
"Caminhante, não há caminho
Se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso...

(Golpe a golpe, verso a verso...)
(Se faz caminho ao andar...)

Composição: Antonio Machado / J.M. Serrat