Abri a porteira de um tempo esquecido
Num canto do quarto, sob a luz do luar
Toquei o chapéu que já foi colorido
Mas hoje tem manchas de tanto lutar
A fivela de prata, brilho embaçado
Guarda o reflexo de um Sol que se pôs
O couro sovado, cheiro de gado
Contando a história que fomos nós dois
O vento soprava, trazia o destino
A poeira era o manto de quem tem valor
Mas o tempo é um moinho, o moço é menino
Moendo a saudade, plantando a dor
Onde o gado passava, o asfalto correu
Onde o sonho morava, o muro cresceu
Mas dentro do peito, o pasto é sagrado
Sou o guardião de um berrante calado
No rastro da vida, a alma é de terra
A saudade é a tropa que luta essa guerra