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O Castigo da Gaveta

Denis Gerais

A chave gira e o silêncio me recebe como um réu
O teto claro desse quarto agora é meu único céu
Andei nas ruas, vi a sombra do que a gente construiu
Mas no seu rosto a primavera pro meu peito se extinguiu

Eu vi de longe o novo dono desse brilho no olhar
Beijando a boca que dizia não pôr outro em meu lugar
O corpo dele te envolve imitando o meu
Enquanto o brilho da esperança em meu olhar nesse instante se perdeu

Mas o castigo está guardado lá no fundo da gaveta
Um pedaço de memória rosa meio violeta
Aquele vestido colado ficou pra trás na solidão
Rasgando a alma e o que resta desse pobre coração
Não quero outro amor, pois a cor rosada é o meu fim
Pois se não for você, não quero mais nada pra mim

Abro o armário e o perfume ainda insiste em flutuar
Como um fantasma que se recusa a me deixar descansar
O tom rosa daquele traje recorda o que vivi
A dor latente de entender que finalmente te perdi

Mas o castigo está guardado lá no fundo da gaveta
Um pedaço de memória rosa meio violeta
Aquele vestido colado ficou pra trás na solidão
Rasgando a alma e o que resta desse pobre coração
Não quero outro amor, pois a cor rosada é o meu fim
Pois se não for você, não quero mais nada pra mim

Composição: Idenilson Honorio da Silva