Se... Part II (feat. Nex Daimond)
Escrevi e plantei
Dei a luz milhões vidas
Das quedas que levantei
Sarei-me das minhas feridas
E se não fosse eu
Ainda assim seria muntu
Fiz-me trevas, fiz-me breu
Nisso vive ubuntu
É vinho da uva
Da videira da utopia
Onde nada é vão
Porque tudo lá é Sol
Eu vinha da chuva
Que a treva cuspia
Coberto de trovão
E o amarelo do arrebol
Descalço de tabus
Despi etiquetas
Perdi a lucidez
Fiz-me natureza
Eu fiz-me luz
Nas profundas gretas
Bebi da nudez
Tornei-me pureza
Óh vida, me desata
Deixa-me ser kandengue
Me faz um afrocrata
Como o grande simão bengui
Se tudo aqui é vento
Não passamos de sopro
Que não morre, que não some
Se converte a vapor
Na pedra do alento
Falhei como escopro
Tudo corre e me carcome
Tudo faz-me decompor
Se o mundo não existe
E for só coisa da cabeça
Todo feliz é triste
Todo ruido é conversa
A verdade engasga
Pois, a língua peca
O tempo corre
Não há nada que se queixa
Se o livro rasga
A árvore seca
O homem morre
Não há nada que se deixa
Se o mundo fosse um deserto
Que grão de areia seria
Que seria decerto
Longe dessa calmaria
A vida é tempestade
Para quem não faz escolha certa
Quem rouba o pergaminho
Mas não sabe o que escrever
A vida é sempre tarde
Para quem não crê na colheita
Quem sabe do caminho
Mas, não trilha no dever
Vi grandiosidade
Na minha pequenez
Mas, nada me descreve
Vida já não tem lembrança
Vi minha deidade
Se tornando soez
Porque a reza entrou em greve
E o amor perdeu a graça
Olhos calados
Para não verem o sofrimento
Se evitam do tormento
Do desamor dessa lar
Braços calejados
Choram pela esgotamento
Lamentam do aumento
Do preço de respirar
Se o mundo não existe
E for só coisa da cabeça
Aqui nada consiste
Tudo passa de crença
A verdade engasga
Pois, a língua peca
O tempo corre
Não há nada que se queixa
Se o livro rasga
A árvore seca
O homem morre
Não há nada que se deixa
Se... Parte II (participação de Nex Daimond)
Escrevi e plantei
Dei à luz milhões de vidas
Das quedas que enfrentei
Curei minhas feridas
E se não fosse eu
Ainda assim seria um ser humano
Me tornei trevas, me tornei escuridão
Nisso reside a humanidade
É o vinho da uva
Da videira da utopia
Onde nada é em vão
Porque tudo lá é Sol
Eu vinha da chuva
Que a escuridão cuspia
Coberto de trovões
E o amarelo do crepúsculo
Desprovido de tabus
Despi etiquetas
Perdi a lucidez
Me tornei natureza
Eu me tornei luz
Nas profundas fendas
Bebi da nudez
Me tornei pureza
Ó vida, me solte
Deixe-me ser livre
Faça de mim um cidadão do mundo
Como o grande Simão Bengui
Se tudo aqui é vento
Não passamos de sopro
Que não morre, que não desaparece
Se transforma em vapor
Na pedra do alento
Falhei como cinzel
Tudo flui e me consome
Tudo me faz decompor
Se o mundo não existe
E é apenas coisa da mente
Todo alegre é triste
Todo barulho é conversa
A verdade sufoca
Pois a língua peca
O tempo passa
Não há nada a reclamar
Se o livro se rasga
A árvore seca
O homem morre
Não há nada a deixar
Se o mundo fosse um deserto
Que grão de areia seria
Que seria com certeza
Longe dessa calmaria
A vida é tempestade
Para quem não faz a escolha certa
Quem rouba o pergaminho
Mas não sabe o que escrever
A vida sempre chega tarde
Para quem não acredita na colheita
Quem conhece o caminho
Mas não segue o dever
Vi grandiosidade
Na minha pequenez
Mas nada me descreve
A vida já não tem memória
Vi minha divindade
Se tornando vil
Porque a prece entrou em greve
E o amor perdeu a graça
Olhos calados
Para não verem o sofrimento
Evitam o tormento
Do desamor deste lar
Braços calejados
Choram pelo esgotamento
Lamentam o aumento
Do preço de respirar
Se o mundo não existe
E é apenas coisa da mente
Aqui nada é real
Tudo é apenas crença
A verdade sufoca
Pois a língua peca
O tempo passa
Não há nada a reclamar
Se o livro se rasga
A árvore seca
O homem morre
Não há nada a deixar