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O que fica é que nos amamos

Djordje Balasevic

Ostaje mi to sto se volimo

Moj drug iz detinjstva živi sretno na selu,
k'o u ruskom romanu, taèno tako.
Ima ženu i sina, ima podrum pun vina
i sve mu je ravno.

U poslednje vreme ja ga viðam sve reðe,
samo onda, uglavnom, kad nešto slavi.
On se ne ljuti zbog tog, pruži ruku i kaže:
"Nisi bio odavno".

I seæamo se dana kad smo još bili divlji k'o jeleni hitri,
i sve smo bliži istini i tuzi što smo bliži sledeæoj litri.

Pitam ga dal' zna da si otišla, da si otišla.
"Ma nije strašno", kaže on, "Imala je drugog, to znaš".
Pitam ga dal' zna da se volimo, da se još volimo.
"Ma baš si smešan", kaže on, "ponekad si klinac baš".

Moj drug iz detinjstva život posmatra škrto,
vidi nebo i zemlju, ma ima pravo.
Ja sam prokleti pesnik koji stoji na kiši,
koji laže i voli.

Mada smo uèili istu grubu životnu školu,
mi smo nekad daleki, pa to je ljudski.
Svako nosi u sebi nekog svog malog boga
kom se potajno moli.

I zato vraæam prièu na vremena kad smo bili jeleni hitri,
i sve smo bliži istini i tuzi što smo bliži sledeæoj litri.

Pitam ga šta sad, kad si otišla, kad si otišla.
"Ma budi mangup", kaže on, "ima mnogo sliènih njoj".
Pitam ga dal' zna da se volimo, da se još volimo.
"Ma koješta", gunða on, "dodaj bokal stari moj".

Moj drug iz detinjstva se oženio zelen,
al' je imao sreæe, ja vidiš nisam.
Ja sam ljubio razne, neke potpuno prazne,
neke potpuno strane.

I sve mi se èini da ne postoji naèin
da mu objasnim tebe, jedinu pravu.
Zato topim u vinu èitav svet jer u èašu
može svašta da stane.

I seæamo se dana kad smo još bili divlji k'o jeleni hitri,
i sve smo bliži istini i tuzi što smo bliži sledecoj litri.

Pitam ga dal' zna da je nevažno što si otišla.
"Avantura", kaže on, "Šta ti sada ostaje?"
Ostaje mi to što se volimo, što se volimo.
"Dal' zbog vina", kaže on, "al' ovo smešno postaje".

O que fica é que nos amamos

Meu amigo de infância vive feliz no campo,
como em um romance russo, exatamente assim.
Tem uma mulher e um filho, tem um porão cheio de vinho
e tudo pra ele é tranquilo.

Ultimamente eu o vejo cada vez menos,
só quando, na verdade, ele tá comemorando algo.
Ele não se importa com isso, estende a mão e diz:
"Você não aparece há tempos".

E nos lembramos dos dias em que éramos selvagens como cervos ágeis,
e estamos cada vez mais perto da verdade e da tristeza, quanto mais perto da próxima dose.

Pergunto a ele se sabe que você foi embora, que você foi embora.
"Ah, não é nada", ele diz, "Ela tinha outro, você sabe".
Pergunto a ele se sabe que nos amamos, que ainda nos amamos.
"Você é hilário", ele diz, "às vezes você é bem moleque".

Meu amigo de infância vê a vida de forma mesquinha,
vê céu e terra, mas ele tá certo.
Eu sou um poeta maldito que fica na chuva,
que mente e ama.

Embora tenhamos aprendido a mesma dura escola da vida,
às vezes estamos distantes, mas isso é humano.
Cada um carrega dentro de si um pequeno deus
que reza em segredo.

E por isso eu volto à história dos tempos em que éramos cervos ágeis,
e estamos cada vez mais perto da verdade e da tristeza, quanto mais perto da próxima dose.

Pergunto a ele o que fazer agora, que você foi embora, que você foi embora.
"Ah, seja esperto", ele diz, "tem muitas parecidas com ela".
Pergunto a ele se sabe que nos amamos, que ainda nos amamos.
"Ah, que besteira", ele murmura, "traz mais um jarro, meu velho".

Meu amigo de infância se casou verde,
mas teve sorte, eu, você vê, não tive.
Eu amei várias, algumas completamente vazias,
outras totalmente estranhas.

E tudo me parece que não há como
explicar a você, a única verdadeira.
Por isso eu derreto o mundo no vinho, porque na taça
cabe de tudo.

E nos lembramos dos dias em que éramos selvagens como cervos ágeis,
e estamos cada vez mais perto da verdade e da tristeza, quanto mais perto da próxima dose.

Pergunto a ele se sabe que não importa que você foi embora.
"Aventura", ele diz, "O que te resta agora?"
O que fica é que nos amamos, que nos amamos.
"Se é por causa do vinho", ele diz, "mas isso tá ficando engraçado".

Composição: