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A Vida Na Cidade

Ediglê Poeta

Escrever pra não chorar
Já viu esse pensamento?
Infelizmente não dá
Pois escrevo meu lamento
Que é viver na cidade
Longe das dificuldades
Que tinha o meu sertão
Apesar do desespero
Por não se ver o dinheiro
Nunca me faltou o pão

Nunca me faltou espaço
Pra eu correr e pular
Hoje aqui num terraço
Meu filho vive a brincar
Não pode sair pra rua
Que é à vontade sua
Por que isso é um perigo
Como um pássaro sem asa
Vive preso numa casa
Isso não se deu comigo

Nunca me faltou brinquedo
Era um novo a cada dia
Enquanto os daqui compram
Lá eu mesmo fazia
Cavalo de pau, bola de meia
Carro de lata, castelo de areia
Minha imaginação
Hoje os filhos na cidade
Sem nem uma habilidade
Assiste televisão

Até mesmo os pais
Sem ter muito que fazer
Passava tempo com os filhos
Ensinando a viver
Já aqui na cidade
Longe da tranqüilidade
O tempo todo é correr
Vejo o filho perguntar
Mas o meu tempo não dá
Pra sentar e responder

Realmente a vida aqui
É diferente de lá
E mesmo achando ruim
Eu não posso mais voltar
Foi aqui que eu aprendi
E só então descobri
Que esse mundo vai passar
A fome e a doença
O crime e a violência
Isso não mais haverá

Então não importará
Onde vamos residir
Sé no sítio ou na cidade
Sé aqui ou se é ali
A terra será igual
Sem existir mais o mal
Será uma perfeição
A terra um paraíso
Novo céu, novo Juízo
Nova administração

Composição: Ediglê Poeta