Das mãos que talhavam madeira para portas e vigas de lar
Às mãos que talhavam o tempo, profetizando um novo altar
Das lascas de cedro ao pó da estrada que o profeta pisou
Do martelo na oficina ao martelo da história que o pregaria na cruz
O mar da Galileia conhecia o peso dos seus pés divinos
A tempestade se aquietava ante o timbre dos seus destinos
Mas a tempestade maior não vinha do vento, mas dos corações
Que não suportavam a luz que expunha suas más intenções
O cordeiro que fala como leão incomoda os reinos da terra
A água que vira vinho desautoriza a seca dos corações
O pão que multiplica é o mesmo que denuncia a ferrugem da alma
E a luz que sai de Nazaré ofusca todas as trevas e nações
Por isso a oficina do carpinteiro foi trocada pela forja do calvário
Onde o prego da salvação seria cravado pela própria criação
Oh, o calvário! Monte da mudança de sortes
Onde o carpinteiro pregou a placa da minha dívida na cruz
O cordeiro morto, silencioso, levando minhas mortes
Para ressuscitar como leão, rompendo as trelas da luz
Aquela madeira maldita se tornou meu lugar de graça
O martelo da ira se quebrou no prego do amor
E o sangue do artesão escorreu, mapeando minha raça
Até o trono do pai, restaurando meu valor
Os mesmos pés que andaram sobre as águas, agora arrastam a própria sentença
As mãos que abençoaram crianças, perfuradas pela ingratidão mais intensa
O rosto que brilhou no tabor, coberto de cuspe e desprezo
O rei dos reis, coroado de espinhos, no mais baixo dos seus trejeitos
Da carpintaria humilde ao trono de dor no gólgota
Do serrote que corta madeira ao grito que parte a terra em rota
Está consumado! O brado do artífice, a obra-prima concluída
A ponte entre a madeira do Éden e a madeira da vida
O silêncio do cordeiro diante das tosquiadoras do ódio
O grito do abandonado, rasgando o véu do mais profundo códigos
O lado aberto, a fonte nascida, a oficina eterna inaugurada
Onde ferramentas de morte são refeitas em ferramentas de jornada
O cordeiro que fala como leão incomoda os reinos da terra
A água que vira vinho desautoriza a seca dos corações
O pão que multiplica é o mesmo que denuncia a ferrugem da alma
E a luz que sai de Nazaré ofusca todas as trevas e nações
Por isso a oficina do carpinteiro foi trocada pela forja do calvário
Onde o prego da salvação seria cravado pela própria criação
Oh, o calvário! Monte da mudança de sortes
Onde o carpinteiro pregou a placa da minha dívida na cruz
O cordeiro morto, silencioso, levando minhas mortes
Para ressuscitar como leão, rompendo as trelas da luz
Aquela madeira maldita se tornou meu lugar de graça
O martelo da ira se quebrou no prego do amor
E o sangue do artesão escorreu, mapeando minha raça
Até o trono do pai, restaurando meu valor
E agora, do madeiro vazio, ergue-se o leão da tribo de Judá
Com fogo nas mãos feridas, autoridade que o inferno treme ao ouvir falar
O nome que é sobre todo nome, o carpinteiro do universo
Que entalhou nas estrelas o destino e na cruz reescreveu meu verso
Olhem para o madeiro, vejam o troféu da nossa vitória
A cruz é a espada do leão, a lança que feriu a serpente
Deste monte flui um rio que lava o pecado da memória
E a autoridade do carpinteiro ressoa em toda frente
Inimigos, calai-vos! Céus, terra e mar, prestai atenção
O que ele fala acontece, pois na cruz ele já falou tudo
A sentença foi revogada, o livro da vida tem nova edição
E o reino do carpinteiro nunca mais será corrompido
Do calvário ele reina, do calvário ele julga as nações
A oficina é o universo, e suas ferramentas são raio e trovão
Oh, o calvário! Monte da mudança de sortes
Onde o carpinteiro pregou a placa da minha dívida na cruz
O cordeiro morto, silencioso, levando minhas mortes
Para ressuscitar como leão, rompendo as trelas da luz
Aquela madeira maldita se tornou meu lugar de graça
O martelo da ira se quebrou no prego do amor
E o sangue do artesão escorreu, mapeando minha raça
Até o trono do pai, restaurando meu valor
O carpinteiro é rei (é rei)
O cordeiro é leão (é leão)
O calvário é meu trono