Exequias
Los dos allí acodados en tu balcón
mañana de luz por no llorar, miro la ciudad
pequeña y gris como una maqueta
solemnidad típica de todo final
silencio de adiós
por no gritar, miro sin mira
la calle, que es como un hormiguero
marche arpón para mi corazón desvencijado
otra vez soportar las estúpidas exequias de un amor
un piso diez
vos de codos en tu balcón
tus ojos con sol
te veo fumar y empiezo a pensar
perderte te va ir embelleciendo
marche arpón para mi corazón desvencijado
otra vez aguantar las tristísimas exequias de un amor
yo soy este estribillo imperfecto
que no puede remediar
las cosas que fallé con el cuerpo
el océano que excedió el vaso
otro arpón para mi corazón desvencijado
otra vez aguantar las difíciles exequias de un amor
los dos allí
toda tu mirada de luz
Exéquias
Os dois ali encostados na sua sacada
amanhecer claro pra não chorar, olho a cidade
pequena e cinza como uma maquete
solemnidade típica de todo fim
silêncio de adeus
pra não gritar, olho sem olhar
a rua, que é como um formigueiro
mais um arpão pro meu coração despedaçado
mais uma vez suportar as estúpidas exéquias de um amor
um décimo andar
e você de cotovelos na sua sacada
t seus olhos com sol
te vejo fumar e começo a pensar
te perder vai te embelezando
mais um arpão pro meu coração despedaçado
mais uma vez aguentar as tristíssimas exéquias de um amor
eu sou esse refrão imperfeito
que não consegue remediar
as coisas que falhei com o corpo
o oceano que transbordou o copo
mais um arpão pro meu coração despedaçado
mais uma vez aguentar as difíceis exéquias de um amor
nós dois ali
todo o seu olhar de luz
Composição: Rodrigo Manigot